Não há novidade no fato de os poderes Executivo e Legislativo ampliarem o número de funcionários em ano eleitoral, como é o caso de 2026. Contudo, embora essa prática reprovável tenha se incorporado às instituições brasileiras, o que ocorre na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) extrapola qualquer limite de razoabilidade.Os deputados estaduais goianos têm hoje à disposição 5.775 servidores comissionados — aqueles que ingressam no serviço público sem concurso.Trata-se de um novo recorde para a Casa, superado ano após ano. Em 2016, eram 2.625. O salto, portanto, foi de 120% em uma década. Apenas nos últimos três anos, período da gestão do atual presidente do Legislativo goiano, Bruno Peixoto (UB), mais de 2 mil funcionários ingressaram por indicação livre.Para dar a dimensão do que isso representa, metade dos municípios goianos tem menos habitantes do que o número de comissionados da Alego. O custo dessa estrutura para os cofres públicos chega a R$ 53,6 milhões.A dúvida que permanece é se essa multidão de servidores presta, de fato, serviços à população ou se atende apenas aos interesses políticos dos parlamentares responsáveis por suas nomeações.