Entre os infindáveis desafios da gestão em uma metrópole do porte de Goiânia, a Prefeitura envolveu-se, nos últimos meses, em um falso dilema: de um lado, a necessidade de promover o manejo racional da arborização urbana; de outro, o legítimo desejo dos moradores de viver em uma cidade mais verde. De um lado, a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) tem laudos que apontam a necessidade da retirada de árvores com condições fitossanitárias precárias ou em fim de ciclo de vida. De outro, grupos de moradores se apoiam em avaliações de especialistas independentes para defender a preservação de exemplares condenados pelo órgão público. Nesta semana, o Ministério Público recomendou que o Paço suspenda o corte de gameleiras no Setor Oeste. Já a Polícia Civil impediu a retirada de figueiras no Jardim América e passou a investigar a possibilidade de envenenamento intencional das árvores. O dilema é falso porque não há incompatibilidade entre a preservação ambiental e a garantia da segurança da população. O que tem faltado é transparência nas análises técnicas, clareza nos critérios adotados, um plano de reposição arbórea convincente e, sobretudo, diálogo com a sociedade.