Há 39 anos, Goiânia vivia um clima muito parecido com o dos dias atuais. Em setembro de 1987, a capital se preparava para receber, pela primeira vez, uma etapa da MotoGP, a principal categoria do motociclismo mundial. Por trás da euforia, porém, um desastre que ficaria para a história se desenrolava longe dos olhos da população: o acidente com o césio-137.A coincidência torna-se ainda mais marcante com a estreia da série Emergência Radiológica, na Netflix. Em cinco episódios, a maior plataforma de streaming do mundo pretende recontar a tragédia em uma narrativa que mistura ficção e realidade.Quatro mortes estão diretamente relacionadas ao episódio, entre elas a de Leide das Neves. À época com apenas 6 anos, a menina tornou-se o símbolo involuntário do acidente. Ainda hoje, há pessoas com sequelas que recebem pensões pagas pelo governo federal e, principalmente, pelo estadual, que reconhece 603 vítimas. Os valores foram reajustados em 69% pelo governador Ronaldo Caiado (PSD) nesta semana, após sete anos de congelamento.Pela magnitude — foi o maior acidente radiológico do planeta fora de uma usina nuclear — e pelo ineditismo, a tragédia nunca deve ser esquecida.