Indicadores recentes comprovam a pressão do aumento populacional de Goiânia sobre seu próprio território. O crescimento de 10% no número de habitantes, entre os censos de 2010 e 2022, ocorreu associado à perda da zona rural e, consequentemente, da malha permeável. Segundo o MapBiomas, a área construída do município ficou 130 quilômetros quadrados maior, de 1985 a 2020. No fim de semana, O POPULAR mostrou que a zona urbana manterá a tendência de inchaço, incorporando mais 1,2 mil hectares em novos loteamentos autorizados. Esse movimento ocorre no contexto de mudanças climáticas, que são globais, mas, também, regionais. Cidades precisam manter sua vegetação, uma aliada contra o calor excessivo, poluição e enchentes. Por isso, a proposta da Prefeitura de ceder áreas públicas para a iniciativa privada é preocupante. Pelo menos uma delas, localizada no Park Lozandes, no entorno do Paço Municipal, já sofre consequências do crescimento — e sofrerá ainda mais com a recente autorização de adensamento na avenida Fued Sebba. Trata-se de uma região com grande superfície permeável, que tende a desaparecer caso o projeto avance. É preciso colocar na balança se o suposto ganho financeiro valerá a pena.