A lém do trauma e do luto, a pandemia de Covid-19 pode ter sido uma porta aberta à corrupção. É o que se depreende de duas operações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) contra organizações sociais que atuaram em hospitais goianos em 2020 e 2021. Uma das entidades geriu o Hospital de Campanha de Goiânia (HCamp). A unidade atendeu mais de 40 mil pacientes. No pico, operou com 100 leitos críticos e 80 de internação. A outra organização alvo das investigações foi responsável pela gestão do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (Hmap). No auge, a unidade dispunha de 80 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 60 de internação. O que os investigadores descobriram é que, por trás desses números, havia um esquema de superfaturamento, pagamento de propinas e outras irregularidades. Os desvios nos dois hospitais chegam a R$ 38 milhões. Aos envolvidos, é preciso, naturalmente, garantir o direito à ampla defesa.