O avanço da operação Penalidade Máxima indica que o esquema de manipulação de jogos no futebol brasileiro é muito mais profundo do que se vislumbrava no começo. Detonada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), a partir de uma denúncia feita por um clube goiano (o Vila Nova), a investigação apontou, até agora, 25 pessoas envolvidas, entre aliciadores e jogadores.Este número pode crescer, pois as conversas identificadas trazem os nomes de vários atletas ainda não denunciados. Os desdobramentos são imprevisíveis, pois não é possível, ainda, dimensionar o tamanho exato da fraude. Mas a consequência imediata, além das denúncias contra os suspeitos, é a nuvem de desconfiança sobre as competições nacionais. O futebol extrapola o lazer. Trata-se de um traço cultural brasileiro e uma grande indústria, que movimenta milhões em patrocínio, direitos de transmissão, salários, bilheteria e uma infinidade de produtos.Além das eventuais punições, as descobertas explicitam a necessidade de regulamentação das plataformas de apostas que atuam no País. A torcida é que a operação ajude a resgatar a credibilidade do esporte mais popular do País, e que o jogo seja decidido onde se deve: dentro do campo.