A Operação Carbono Oculto — conduzida pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal, entre outros órgãos — demonstra como o crime organizado está infiltrado no tecido social. Mais estruturadas, as facções adquiriram contornos empresariais e atuação internacional. Na investigação em curso, apura-se uma intrincada engrenagem que envolvia adulteração de combustíveis e atuação no mercado financeiro. Para isso, o grupo ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizava uma rede de refinarias, lojas de conveniência, postos , fundos de investimento e fintechs — empresas de tecnologia que atuam no setor financeiro. Mais de mil empresas ligadas ao esquema movimentaram R$ 52 bilhões desde 2020. Em Goiás, foram cumpridos mandados no polo de combustíveis de Senador Canedo. Ainda faltam detalhes do tamanho do papel do estado nessa rede criminosa. No entanto, é evidente que Goiás não é uma ilha: o crime organizado também atua em território goiano — situação já levantada em ocasiões anteriores. A operação explicita, ainda, a necessidade de cooperação entre os estados e o governo federal no combate ao crime organizado, pois esse é o maior desafio atual da segurança pública no Brasil.