Reportagem na edição do fim de semana mostra a baixa taxa de efetividade de transplantes de órgãos em Goiás, no primeiro semestre deste ano. Das 334 notificações de morte encefálica, apenas 55 resultaram em doações. Entre os motivos para esse cenário, destaca-se disparadamente a recusa de familiares, consequência de tabus improcedentes, como a preocupação com a integridade do corpo. Há quem acredite que a retirada de órgãos pode comprometer a aparência do familiar no momento do velório, temor absolutamente infundado. A gerente de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde, Katiuscia Freitas, aponta a necessidade de ampliar o debate sobre a importância da doação de órgãos, como uma forma de ressignificar o momento de luto, criando a possibilidade de salvar ou transformar vidas. O ato de generosidade não vai eliminar a dor da perda do familiar, mas dará a certeza de que sua existência teve um significado ainda maior ao ajudar outros pacientes.