O feminicídio foi incluído como qualificadora do homicídio há 11 anos, por meio da Lei nº 13.104/2015, que alterou o Código Penal brasileiro. Com o aumento da recorrência desses casos, a Lei nº 14.994/2024 avançou ainda mais: o feminicídio passou a ser um crime autônomo, com penas ampliadas para 20 a 40 anos de reclusão — antes, variavam de 12 a 30 anos.Apesar do endurecimento legislativo, a violência não diminuiu. Em 2025, o Brasil registrou um recorde de 1.518 vítimas. Em Goiás, foram 59 casos.Uma pesquisa da Universidade Estadual de Londrina (UEL) traz elementos importantes para compreender o fenômeno. Mais de 85% dos agressores tinham vínculo íntimo ou familiar com a vítima; a maioria das mulheres mortas era mãe; e dois terços dos crimes ocorreram dentro da própria casa.O estudo evidencia, mais uma vez, que o enfrentamento ao feminicídio vai muito além da legislação ou da repressão policial. Ele exige uma transformação cultural profunda.Nesse contexto, destaca-se a iniciativa da Federação Goiana dos Municípios (FGM), que levou o debate sobre violência contra a mulher às escolas de 12 cidades. É uma gota no oceano, que precisa ser aprimorada e expandida para todos os 246 municípios goianos.