Em três anos, o governo Lula lançou duas versões do programa de renegociação de dívidas. Devedores tiveram acesso a juros menores e prazos mais longos. O Desenrola 1 e o Desenrola 2 movimentaram cerca de R$ 70 bilhões.Os programas não foram, porém, capazes de inverter a curva da inadimplência no País. Em Goiás, o valor das dívidas cresceu 18% em junho, na comparação com o mesmo mês de 2025. O levantamento é da Serasa Experian. O estudo identificou 2,7 milhões de goianos com contas em atraso. São 200 mil pessoas a mais nessa situação do que há um ano. A dívida média por consumidor é de R$ 7,2 mil, e o montante total alcançou R$ 19,5 bilhões — R$ 3 bilhões acima do registrado em 2025.Os principais vilões continuam sendo o cartão de crédito e as financeiras. De acordo com a Serasa, a facilidade de parcelamento das compras e a oferta de limites pré-aprovados contribuem para que consumidores percam o controle do orçamento.Programas como o Desenrola, portanto, tendem a produzir apenas efeitos paliativos se não houver atuação sobre as causas estruturais do problema, como os juros extorsivos, o aumento do custo de vida e a falta da educação financeira desde os primeiros anos da vida escolar.