O Novo Desenrola Brasil, programa do governo federal que visa facilitar a renegociação de dívidas, vigora há uma semana. A expectativa é retirar milhões de brasileiros do vermelho, com descontos sobre os valores atualizados, parcelamento e juros mais atrativos. Os números recordes de endividamento das famílias brasileiras dão a dimensão do alcance potencial do programa, em pleno ano eleitoral. Em Goiás, há 2,68 milhões de inadimplentes, conforme levantamento da Serasa. A dívida acumulada desse grupo chega a R$ 10,2 bilhões. Nem todos esses valores se enquadram nas regras do Desenrola 2.0, como o programa vem sendo chamado. Como O POPULAR mostrou em reportagem de segunda-feira (11), 2,8 milhões de dívidas são elegíveis — 27% do total no estado. Dois terços desses débitos variam entre R$ 500 e R$ 1 mil. Pelo baixo valor, há expectativa de que o Desenrola seja mais efetivo do que a primeira versão, de 2023. Ainda assim, o fato de o governo federal ter lançado dois programas com o mesmo objetivo em um intervalo inferior a três anos é preocupante. Isso indica a existência de um problema estrutural, que precisa ser enfrentado. Caso contrário, haverá novo ciclo de endividamento no curto prazo, exigindo novos planos de socorro.