A Câmara de Goiânia homenageou nada menos que 16 mil pessoas no primeiro semestre deste ano. A cada quatro sessões realizadas, três tiveram essa finalidade. Trocando em miúdos, isso significa que, em ano eleitoral, os vereadores se dedicaram mais a entregar honrarias do que a discutir e aprovar os problemas da capital. As informações estão em reportagem publicada na edição desta segunda-feira (10). Entre os condecorados estão líderes religiosos, rainhas do agro, DJs, influenciadores e membros da maçonaria. Sem desmerecer eventuais méritos dos homenageados, o número soa absurdo diante da quantidade de desafios enfrentados pela capital, que exigem urgência no debate, na apresentação e aprovação de soluções. Os vereadores estão voltando do recesso com a pauta cheia de projetos importantes, alguns dos quais se encontram com a tramitação travada. É inadmissível que eles sejam preteridos em benefício da banalização da entrega de medalhas e diplomas, que resultam em dividendos políticos, mas oferecem pouco ou nenhum retorno para os interesses coletivos. O assunto precisa ser discutido com a seriedade que merece, sob pena do legislativo ter sua imagem desmoralizada, apesar de toda a relevância para a cidade.