As cobiçadas terras raras de Goiás ingressaram no debate nacional pela porta dos fundos. Governo federal e governo estadual protagonizaram embates públicos, após a venda da mineradora Serra Verde, em Minaçu, ao grupo norte-americano USA Rare Earth.O que deveria estar no centro da discussão, acima de tudo, é se os minerais — estratégicos para a economia do século 21 — promoverão, de fato, desenvolvimento local. A dúvida é válida, pois a transferência para uma empresa estrangeira ocorreu sem amarras sólidas que garantam processamento local ou transferência de tecnologia — ainda que o governo goiano tente buscar essas contrapartidas. A União, por sua vez, demonstra baixa proatividade na formulação de uma política consistente para o setor.Reportagem desta edição aborda a complexidade envolvida na construção de uma cadeia produtiva para os 17 elementos que compõem as terras raras. Legislação, qualificação da mão de obra, desenvolvimento tecnológico e até a instabilidade política figuram entre os obstáculos difíceis de superar, mas que precisam ser enfrentados caso Goiás aspire a ser protagonista nesse mercado — e não apenas um exportador de matéria-prima.