As diretrizes do novíssimo ensino médio devem sair até o fim do ano, como prevê o governo federal. É pouco tempo para que as secretarias estaduais — principal porta de entrada para essa etapa na rede pública — se adaptem, o que pode colocar o projeto em risco. Foi nos estados que o modelo adotado a partir de 2022 fracassou, mesmo que ele já viesse com graves problemas de concepção, ainda no governo Michel Temer. Com estrutura insuficiente e falta de investimento na qualificação profissional, as secretarias estaduais de educação transformaram os itinerários de formação, o coração do novo ensino médio, em uma sopa de letras sem nexo. O texto aprovado na semana passada corrige algumas distorções, com a fixação da base curricular para disciplinas tradicionais e maior carga horária para elas, assim como a instituição de normas mais claras para as disciplinas optativas. O ensino médio é o principal gargalo da educação nacional. É nele que se registram os maiores índices de evasão, assim como os piores indicadores em avaliações internacionais. Governo federal e estados devem atuar juntos para diminuir o atraso do País em relação às nações mais desenvolvidas. Essa é uma nova chance.