A crise autoinfligida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sequestrou o debate político em pleno processo eleitoral. Desde que mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro dirigidas ao ministro Alexandre de Moraes vieram à tona, a Corte passou a dominar o debate político, em detrimento de outros temas igualmente fundamentais. A conflituosa sessão desta terça-feira (15) terminou sem julgamento de mérito sobre os pedidos de abertura de investigação das condutas de Moraes e de André Mendonça. Um pedido de vista de Flávio Dino adiou o desfecho. Enquanto isso, outros grandes temas nacionais, que deveriam estar no centro das atenções, têm ficado em segundo plano. A 18 dias do primeiro turno, o eleitor tem poucas, ou quase nenhuma, informações sobre o que os candidatos à Presidência da República planejam fazer em relação ao controle da inflação, à redução dos juros elevados, à transição energética e à adaptação às mudanças climáticas, à superação dos gargalos do Sistema Único de Saúde (SUS), à diminuição do custo Brasil e a uma miríade de outros obstáculos que travam o desenvolvimento do País. Sem reduzir a gravidade e a necessidade de esclarecer o que ocorre na Corte, há muito mais Brasil além dos limites do STF.