Frondosas e imponentes, as gameleiras compõem o cenário de Goiânia, mas estão com os dias contados. O fim do ciclo de vida, o vandalismo e a incompatibilidade com o crescimento da cidade formam a tempestade perfeita para sua extinção na zona urbana, e os últimos exemplares resistem sob constante ameaça.Pelo menos cinco das últimas sobreviventes receberam sentença de morte desde fevereiro. Dessas, duas já foram extirpadas pela Companhia Municipal de Urbanismo de Goiânia (Comurg): uma na Avenida Bela Vista, nos limites entre a capital e Aparecida de Goiânia; outra, no Setor Crimeia Leste.Os exemplares que seguem no corredor da morte estão no Setor Água Branca e na Vila Irany. Além das condições fitossanitárias, o atestado de óbito inclui conflitos com os equipamentos urbanos, como danos às calçadas e às estruturas hidrossanitárias.É fato que as gameleiras, da espécie exótica Ficus elastica ou da nativa do Cerrado Ficus clusiifolia, são contraindicadas para metrópoles.Mas aquelas que resistem merecem ser protegidas dos agressores e receber o manejo adequado por parte da Agência de Meio Ambiente (Amma). Afinal, é preciso lembrar que elas compõem a memória da cidade.