Principal manancial da Região Metropolitana de Goiânia, banhando 15 municípios com uma população de 2,4 milhões de pessoas, o rio Meia Ponte definha a céu aberto. A sua agonia não é recente, mas ganhou novos contornos. Na segunda-feira, 25, suas águas amanheceram cobertas por uma espuma branca. A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) recolheu amostras e concluiu que o fenômeno teve origem na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). A Saneago diz que é um processo transitório e sem risco, resultado de mudança no sistema de tratamento, mas a Semad ainda analisa o material. Outro sintoma da saúde precária do Meia Ponte é a proliferação da bactéria Staphylococcus aureus em uma mutação resistente a antibióticos. Pesquisa da Universidade Estadual de Goiás (UEG) identificou o micro-organismo, que pode causar doenças em humanos, em vários pontos de coleta. Vítima da expansão urbana desordenada, do desmatamento das matas ciliares, do assoreamento e do lançamento irregular de esgoto e resíduos sólidos, além da perda de vazão, o rio Meia Ponte grita por socorro há anos, mas encontra ouvidos moucos tanto na população quanto no poder público.