A onda de calor que atinge a Europa tem provocado temperaturas recordes em países como Portugal, Espanha, França e Itália. Em algumas localidades, os termômetros chegam a 37°C, e o uso intensivo de sistemas de ar-condicionado tem colapsado o fornecimento de energia. Situações como essas servem de alerta para o que vem pela frente no hemisfério Sul, em razão do fenômeno que vem sendo chamado de super El Niño — expressão contestada por alguns especialistas. Embora ainda não haja certeza sobre sua intensidade, existe a possibilidade de que seja forte, com consequências semelhantes às de 2023 — ano marcado por queimadas extensas e ondas de calor frequentes no Centro-Oeste. Em Goiás, cuja economia é fortemente vinculada ao setor agropecuário, os riscos são elevados para o campo. Nas cidades, eventos extremos tendem a se tornar mais frequentes. As projeções indicam efeitos mais fortes a partir de dezembro. Mesmo com alertas recorrentes, fica evidente que as cidades goianas têm feito pouco ou quase nada para se adaptar aos fenômenos climáticos — um planejamento de longo prazo. Quando esses eventos se intensificarem, a tendência é de repetição de desastres, e gestores públicos, mais uma vez, recorrerão a medidas paliativas.