Desde que a Netflix iniciou a exibição da série Emergência Radioativa, o acidente com o césio-137, ocorrido em Goiânia, voltou a chamar a atenção do Brasil. Com uma narrativa que pode ser classificada como docuficção — ao misturar elementos reais e ficcionais —, a produção liderou o ranking das mais assistidas na plataforma.Para além dos eventuais méritos ou defeitos da obra, ela tem a virtude de reavivar a memória nacional sobre um tema que sofre do chamado apagamento, seja ele intencional, seja provocado pela displicência com que muitos fatos históricos são tratados.Nos principais pontos da tragédia, não há menções aos fatos. Não existem monumentos nem um memorial de peso.Mesmo as vítimas, especialmente aquelas diretamente atingidas, seguem sem os devidos cuidados. A pensão destinada aos radioacidentados, por exemplo, permaneceu oito anos sem qualquer reajuste. Somente nesta semana o governo estadual enviou à Assembleia Legislativa um projeto para a atualização dos valores.Além de prestar apoio àqueles que ainda hoje sofrem com as consequências do acidente, o poder público precisa resgatar a dívida com a memória da cidade.