Vital para os 37 municípios que compõem sua bacia, o Rio Meia Ponte vive uma morte lenta, cujo processo se intensificou nos últimos 50 anos. O manancial sobrevive graças a ações pontuais, sem receber a prioridade necessária. A última iniciativa de maior impacto para tentar recuperá-lo — ou ao menos adiar seu colapso total — data de 2004, quando foi inaugurada a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Dr. Hélio Seixo de Britto. A promessa governamental, à época, era de que as águas tornariam a ser límpidas, a ponto de permitir banho e pesca. Mais de duas décadas depois, a poluição permanece e o processo de assoreamento se intensifica.Em reportagem do fim de semana, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informou a este jornal que a outorga de lançamento de efluentes entra em vigor neste ano, o que deverá evitar o despejo de esgoto industrial no rio.Tal medida, porém, precisa ser acompanhada de uma ampla ação de recuperação do manancial, que passa pela restauração das matas ciliares, pelo repovoamento da fauna aquática e pelo combate ao lançamento de esgoto clandestino, ao descarte irregular de lixo e à ocupação irregular das margens.