Reportagem na edição do fim de semana mostrou a situação de sete dos principais pontos de contaminação pelo césio 137 em decorrência do acidente radiológico ocorrido em Goiânia, em setembro de 1987. Os locais continuam sendo monitorados pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), quase 40 anos depois da tragédia, embora não apresentem mais índices nocivos de radiação. O que chama a atenção, no entanto, é o abandono de parte dos imóveis e a falta de indicações que contem a história do mais grave acidente doméstico com radiação do mundo. Alguns deles estão ocupados e dois permanecem ociosos, com os terrenos concretados, pichações nos muros laterais e muito lixo. O cenário é simbólico, como um retrato do apagamento de um desastre que repercutiu em todo o planeta. Há quatro décadas, as reivindicações das vítimas da catástrofe são ignoradas. Elas pedem a criação de um memorial, que não permita que a tragédia seja esquecida. Diversas promessas já foram feitas, sem que jamais tenham sido cumpridas.