A Polícia Civil prendeu seis suspeitos de venda de vagas do Sistema Único de Saúde (SUS) em Goiás. A operação ocorreu dias após a morte de Luan Vitor, de 2 anos, depois de horas de espera por uma UTI, em Catalão.Os dois fatos não podem ser ligados diretamente, mas, observados em conjunto, revelam como a dificuldade de obter atendimento abre brechas para a atuação de criminosos. Segundo a polícia, o grupo vendia prioridades em consultas, exames e cirurgias — todos procedimentos de acesso gratuito e universal.De acordo com as investigações, vinte e quatro servidores que atuavam no setor de regulação integravam o grupo. Para burlar o sistema, eles cobravam entre R$ 1 mil e R$ 5 mil — os compradores se dividem entre quem tinha conhecimento da irregularidade e aqueles que foram enganados. Os mandados de busca e prisão foram cumpridos em dez municípios, incluindo Goiânia, o que revela a capilaridade do esquema.A descoberta partiu de um trabalho interno da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), o que reforça a necessidade de fortalecimento das instâncias de controle interno. Afinal, quando os critérios técnicos para a distribuição das vagas são burlados, vidas estão em risco.