É vergonhosa a posição de Goiás no levantamento anual da Comissão Pastoral da Terra (CPT) sobre o trabalho análogo à escravidão. O estado ocupou o terceiro lugar entre os estados com o maior número de pessoas encontradas nessas condições em 2025, atrás apenas de Mato Grosso e Minas Gerais.No ano passado, 220 trabalhadores foram localizados em ambientes marcados por jornadas exaustivas, servidão por dívida e condições degradantes, como alojamentos sem higiene, água potável ou alimentação adequada. O total representa um aumento de 162% em relação a 2024, quando foram registrados 84 casos.Chama a atenção o fato de que todos os episódios flagrados em Goiás estejam ligados ao setor agropecuário, com destaque negativo para a produção de etanol, incluindo os canaviais. Em apenas duas ações nesse segmento, 166 pessoas foram resgatadas.Embora esses casos sejam exceções em um estado cujo agronegócio se destaca pela inovação e pelo uso intensivo de tecnologia, a existência de estabelecimentos que mantêm práticas tão abomináveis não pode ser tolerada — nem pelas autoridades públicas, nem pelas entidades que representam produtores comprometidos com a legalidade.