Fez bem o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), ao vetar parte do projeto de lei que recebeu o contraditório nome de Escudo Feminino. O texto, aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal, previa o financiamento de até R$ 5 mil para que mulheres vítimas de violência pudessem adquirir armas de fogo — exatamente um dos trechos rejeitados pelo Paço Municipal. O Escudo Feminino parte de uma premissa correta: a necessidade de proteger as vítimas. Para isso, apresenta iniciativas como assistência jurídica e psicológica. A proposta erra, contudo, ao considerar que colocar armas nas mãos das mulheres seria uma saída para sua segurança. Estudos consistentes desmontam essa tese. Segundo o Instituto Sou da Paz, a presença de armas de fogo em um ambiente de violência doméstica eleva em 85% a possibilidade de um desfecho fatal. Em um contexto assim, é difícil acreditar que a mulher, já em posição de vulnerabilidade, terá condições reais de se defender. Vetar trechos do projeto de lei, porém, é só um detalhe. Cabe à Prefeitura estruturar programas que estejam dentro de seu campo de atuação, desde a prevenção e a educação até o acolhimento efetivo de quem precisa de proteção do poder público.