Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, divulgados na semana passada, ao mesmo tempo que trazem revelações dignas de comemoração, com mais um ano de redução nos crimes letais, mostram uma tendência preocupante. A violência contra a mulher persiste, com aumento nos números de ameaças, perseguições e intimidação psicológica. São agressões que têm grande chance de culminarem em morte. No ano passado, 56 mulheres foram assassinadas por questões de gênero, crime tipificado como feminicídio. A maioria foi morta dentro de casa, por seus companheiros ou ex-companheiros. Os números deixam clara a dimensão da violência doméstica, que exige ações sistêmicas e multidisciplinares, que combatam o crime e acolham as vítimas. Uma das principais estratégias do poder público para proteção das mulheres, as medidas protetivas de urgência vêm sendo descumpridas de forma reiterada, e precisam ser fiscalizadas de maneira mais efetiva, para garantir que cumpram seu papel.