Não é novidade o presidente Lula dizer agora que “nunca foi esquerdista”, mas o local, o momento e o ambiente político da América do Sul indicam que, desta vez, há uma clara intenção eleitoral, para ficar bem com o grande capital no Brasil e no mundo. Logo, foi um movimento calculado, em pleno G-7, o grupo dos países mais ricos. Já em agosto de 2003, durante viagem à Venezuela, no seu primeiro mandato, Lula reagiu a uma pergunta minha com ênfase: “Em toda minha vida, nunca gostei de ser rotulado de esquerda e, quando me perguntaram se eu era comunista, eu respondi: ‘Sou torneiro mecânico’”. A fala de Lula contra o “rótulo de esquerda” foi ao lado do então presidente venezuelano, Hugo Chávez, temido pelo capital e pelas elites no Brasil, e pouco mais de um ano depois da “Carta aos Brasileiros”, em que, como candidato da esquerda, ele quis acalmar a direita, assumindo o compromisso de manter contratos nacionais e internacionais. Na “carta” e na fala em Caracas, Lula quis dizer algo como: “Sou de esquerda, mas não muito”.