A carta do senador Flávio Bolsonaro para o governo Trump, via Escritório de Comércio (ou USTR), é um desastre para o próprio Flávio, sob todos os pontos de vista, político, diplomático, até moral. Quer dizer que um novo tarifaço agora não pode, porque é bom para o presidente Lula, mas, depois das eleições, depende de quem ganhar?O importante para o candidato, não é se é bom ou mau para o Brasil e os brasileiros, o que vale é se é bom ou mau para ele e o bolsonarismo, dane-se o resto. Aliás, foi assim em cada passo do bolsonarismo para se aproximar de Trump e se distanciar do Brasil.O então deputado Eduardo Bolsonaro articulou o primeiro tarifaço, de 50%, para tentar salvar o pai, Jair, no Supremo, apesar do evidente estrago que isso produziria na economia do País. Aliás, como produziu, até que Lula e Trump abrissem um diálogo institucional, agora rebaixado a troca de cartas.Depois, o próprio Flávio assumiu a articulação do novo tarifaço, com base na Seção 301 de Comércio, tanto que o anúncio de Washington saiu dias depois do encontro dele com Trump. Aquele, em que ele aparece nas fotos de pé, com Trump ao lado, sentado.O novo capítulo, às vésperas de Flávio participar de uma audiência pública nos EUA, é a carta para o USTR, que num resumo livre, pode ser lida assim: desculpem, foi mal, mas fizemos uma besteira atrás da outra e deu tudo errado.Citando pesquisas, ele diz que novas tarifas dariam “vitória política” para o governo Lula e “puniriam a economia americana e os próprios brasileiros”. Alguma surpresa? É como se ele não tivesse nada a ver com isso, mas foi o próprio Flávio quem se vangloriou de ter conseguido as medidas -- que, aliás, atingem o Pix.Michele Bolsonaro também quer parar o tempo e já avisou que não vai mexer uma palha na campanha do enteado. E depois? Depende do resultado?No campo oposto, as investigações do escândalo contra velhinhos e velhinhas do INSS, que esbarram em Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, andam meio paradas. Só depois das eleições, também? Dependendo de quem ganhe?E a delação de Daniel Vorcaro, que pode detonar Flávio, o ex-líder do governo Lula Jacques Wagner, o ex-chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro Ciro Nogueira, o ministro do STF Alexandre de Moraes e um punhado de governadores? Depois das eleições? Será?Em alguns desses casos, as consequências realmente dependem de quem ganhe. Em outros, que envolvem direita e esquerda, governo e oposição, nem em novembro, nem em 2027, nem em 2028... Só no Dia de São Nunca?