A expectativa de Flávio Bolsonaro corresponde, na mesma proporção, ao temor do presidente Lula e do Planalto: o de que o imprevisível Donald Trump dê mais uma de suas guinadas e volte a se meter não apenas em assuntos políticos, jurídicos e econômicos no Brasil, mas também, e diretamente, nas eleições presidenciais.Trump comandou a primeira reunião do Conselho de Paz de Gaza, idealizado por ele, montado por ele e presidido por ele ao seu bel prazer, cercado de líderes mais do que conservadores e batendo no peito para enaltecer seu próprio papel na vitória desses convidados barra pesada.Da Europa, foram a Washington, sob o pretexto de procurar uma saída para a destroçada Gaza, os líderes de Hungria, Albânia, Kosovo, Belarus e Bulgária. Os países mais ricos e democráticos, ou não apareceram ou foram só como observadores.Aqui da nossa seara, foram Javier Milei, da Argentina, e Santiago Peña, do Paraguai, representando metade do Mercosul original, além do Nayib Bukele, de El Salvador, visto pela direita como herói contra o crime e, pela esquerda, como sanguinário.Em síntese, Trump disse que não está nem aí para a regra diplomática de não ingerência em assuntos internos de outros países, apoia quem quiser e o importante é o resultado, ou seja, a vitória dos seus candidatos. O resto é o resto.Enquanto Flávio Bolsonaro embarcava para os EUA na mesma quinta-feira, numa nova tentativa de sair de lá com algum sinal promissor para sua campanha, Planalto e Itamaraty tentavam traduzir o recado trumpista e seu significado na eleição brasileira.E Lula? Estava muito distante de Washington, assinando acordos com Índia e Coreia do Sul, inclusive sobre minerais críticos, com os indianos, e assim atropelando seus acertos com Trump num tema delicado. Consta, aliás, que Lula nunca respondeu nem sim nem não ao convite de Trump para participar do Conselho de Gaza - que ironiza (ou seria condena?) como “a ONU do Trump”.Logo, a aproximação entre os dois presidentes ia de vento em popa, mas não se sabe até onde vai. Trump chegou a aplicar um tarifaço de 40% no Brasil, a lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes e sua mulher, a suspensão de vistos de ministros do Executivo e do Judiciário, tudo isso em nome da amizade ou seja lá o que for com Jair Bolsonaro. Mas ele não gosta de derrotados.Foi Bolsonaro ser condenado pelo Supremo para Trump passar a investir na sua “química” com Lula, um presidente com a caneta na mão e favorito para a reeleição. Rei morto, rei posto. A candidatura de Flávio Bolsonaro, porém, ameaça ressuscitar o reinado da família e, portanto, o interesse de Trump.Tudo depende, inclusive, do tratamento de Lula a Trump, mas um fator é bem objetivo: as pesquisas eleitorais. Vem aí a rodada da Atlas-Intel, logo após um Carnaval desastroso para Lula e o aumento do ritmo de campanha de Flávio. Não é só o Brasil que está atento ao sobe-e-desce, Washington também está.