Ou o ministro Alexandre de Moraes admite que gastou R$ 1 milhão com aluguel de jatinhos, o que, convenhamos, não é trivial, ou vai ter de assumir sua proximidade, até intimidade, com o então banqueiro Daniel Vorcaro, o que é menos trivial ainda, em se tratando de um ministro do Supremo - justamente o que capitaneou a resistência a um golpe de Estado.Moraes age e decide como se nada tivesse acontecido e como se a delação premiada de Vorcaro não estivesse no horizonte. Está, deve vir logo e espera-se que seja corroborada por seu cunhado e braço-direito, o pastor esquisitão e super tatuado Fabiano Zettel.Assim como os próprios Vorcaro e Zettel, Moraes sabe muitíssimo bem que, se eles não confirmarem e não forem além de tudo o que a PF, a PGR já provaram e a sociedade já sabe, as duas delações cairão no vazio e eles não ganharão nada em troca, nem um dia a menos de cadeia. A PF, principalmente, não tem paciência nem tempo a perder.Logo, é improvável, praticamente impossível, que os dois principais implicados no escândalo Master deixem passar ilesos Moraes e Dias Toffoli em suas delações. Moraes, porém, dá sinais de não ter captado até agora, e apesar de todas as evidências, a gravidade da sua situação, os riscos que está correndo e a força do impacto na imagem e na confiança do Supremo.Nas conversas reservadas entre ministros mais chegados, sob nuvens carregadas de constrangimento, ninguém tem coragem de dizer a verdade nua e crua e muitos preferem botar a culpa na PF, nos vazamentos e, como sempre, na mídia, que trabalha com fatos e é aplaudida quando os fatos são favoráveis e açoitada quando são contrários.“Vocês estão loucos!”, esbraveja uma fonte do Supremo, acusando jornalistas de botar em risco as instituições e a democracia, por divulgarem dados, documentos e verdades inquestionáveis. Os R$ 130 milhões, os jatos ligados a Vorcaro ou com advogados do Master, o resort e os irmãos laranjas foram pura invenção? Aliás, e as decisões a favor da JBS?Sim, as instituições exalam fragilidade, com o Congresso abaixo da crítica, o Executivo, fraco, e o STF, envolto em incertezas e angústia, mas a culpa não é da PF e da mídia. Quem tem responsabilidade é que deveria ter pensado nisso antes de fazer o que fez. O caso Master, inclusive, apenas destampou uma panela de pressão que, mais cedo ou mais tarde, acabaria explodindo.Difícil e triste dizer isso? Com certeza, mas jornalistas trabalham com fatos e o melhor que o STF pode fazer é o que as Forças Armadas conseguiram no julgamento do golpe: isolar os CPFs do CNPJ.