Após semanas de erros e más notícias, o senador Flávio Bolsonaro finalmente tem o que comemorar: além da abertura de investigação da PF sobre o Lulinha no escândalo do INSS, ele pode ganhar dois importantes troféus na campanha.Se confirmados, esses troféus vão jogar uma lufada de ânimo na sua candidatura e minar a percepção de que o presidente Lula, em vantagem em Estados decisivos, tem tudo para vencer. Bom para Flávio, péssimo para Lula.Quais são esses trunfos? Um é a senadora Tereza Cristina e o outro, o também senador Cleitinho. O problema: ambos são ótimos para Flávio, mas Flávio pode não ser tão bom assim para eles.O sonho de Flávio, ainda mais após a crise com Michelle, é ter uma mulher como vice e nenhuma melhor que Tereza Cristina. Ela é, inclusive, considerada no agronegócio, em meios militares e entre eleitores independentes (nem Lula nem Flávio), até melhor do que o próprio Flávio como cabeça de chapa.Sondada insistentemente para vice, a senadora sempre disse não, alegando que seu projeto é ser a primeira mulher a presidir o Senado. Porém, o não está virando sim e tende a se tornar o melhor movimento político da tumultuada e errática campanha de Flávio, dando densidade à chapa, sem dúvida.Tereza Cristina é líder do agro, foi ministra da Agricultura e saiu ilesa do desastre na pandemia, da tentativa de golpe e das crises externas do governo Bolsonaro. Ao largo de tudo isso, ela trabalhava - e bem.O outro trunfo, Cleitinho, começou a vida com um megafone na mão, anunciando o armazém de secos & molhados de um irmão e conquistando a fama de engraçado, simpático. Daí para um mandato de vereador, foi um pulo.Bom de internet, obviedades e trivialidades, ele aproveitou bem o esfarelamento do PT e do PSDB em Minas e virou campeão de votos na segunda maior economia e no segundo maior colégio eleitoral do País, decisivo nas eleições presidenciais: só sobe a rampa do Planalto quem vence em Minas.Cleitinho foi cortejado dia e noite para ser candidato de Flávio ao governo de Minas, contra o ex-ministro Patrus Ananias, escolhido por Lula por eliminação. Apesar dos pesares, Cleitinho aponta para o futuro, enquanto Patrus, belo quadro político, remete ao passado.Cleitinho também jurava que não aceitaria. A diferença é que Tereza Cristina ainda é favorita para vice de Flávio, mas a situação dele se inverteu: ele decidiu aceitar, mas, agora, seu partido, o Republicanos, é que não quer.Os dois senadores têm força para sacudir a campanha de Flávio, mas vão ter de responder sobre Dark Horse, tarifaços de Trump, imóveis e milícia no Rio. Assim como Lula e PT terão muito trabalho com Lulinha e INSS.