Gilmar Mendes embola o jogo e usa da velha regra de que tudo tem dois lados ou, neste caso, das investigações do Master, dois tipos de posicionamento e ação: um atende ao "clamor popular" para avançar e ganhar aplausos; outro, que ele defende, investiga, toma decisões e pretende julgar ao final com base em fatos objetivos, não jogando para a plateia. O decano do Supremo recorreu a argumentos técnicos em seu voto a favor da prisão preventiva de Daniel Vorcaro, do Master, mas usou o voto também para nadar contra a corrente, lançar alertas e fazer um contraponto: de um lado, o relator André Mendonça, o do "clamor popular", e do outro, Gilmar, o da "arena da legalidade". Esse novo racha vem quando a Atlas/Intel detecta que 60% dos brasileiros não confiam no STF, o ministro mais mal avaliado é Dias Toffoli e o melhor avaliado é Mendonça que, em consonância com a pesquisa, usou no seu voto argumentos como "confiança social na Justiça", "pacificação social" e "resposta célere do sistema de Justiça" - ou seja, fazer o que a sociedade quer.