Dias atrás, o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio assinou um ato unilateral classificando o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como “Terroristas Globais Especialmente Designados”. A medida, apresentada como iniciativa de segurança hemisférica, é, na prática, uma intervenção política nos assuntos internos do Brasil — e o precedente mexicano nos avisa com clareza onde esse caminho termina. Comecemos pela distinção conceitual que os EUA deliberadamente ignoram. Terrorismo, no direito internacional e na criminologia contemporânea, é a violência praticada com motivação ideológica, política ou religiosa, com o objetivo de aterrorizar populações e pressionar governos. O PCC e o CV são organizações criminosas voltadas ao lucro — tráfico de drogas, extorsão, lavagem de dinheiro. Sua brutalidade é inegável. Sua natureza, porém, é do crime organizado, não do terror político. Confundir as duas categorias não é ingenuidade analítica: é escolha estratégica.