O ataque à Venezuela e a prisão de Nicolás Maduro soterram a era chavista no país e abrem uma nova fase de Donald Trump contra o multilateralismo e suas instituições mundo afora. Depois de detonar o sistema internacional de comércio com o tarifaço, ele agora quer impor suas vontades e interesses com armas reais, ou seja, letais, ignorando a ONU, as leis e as regras. Hugo Chávez evoluiu do oficial golpista de 1992 para o líder populista que assumiu o poder na Venezuela em 1999, embolando nacionalismo, militarismo, antiamericanismo e pitadas de messianismo, numa síntese de Como as Democracias Morrem, na imprescindível obra de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt. Em vez de balas e canhões, Chávez deu um golpe branco unindo a esquerda aos militares e manipulando a massa em torno de um nacionalismo histérico. Dominou o Congresso, o Judiciário, a mídia e queria se eternizar no poder, não fosse o câncer que o matou em 2013. Como todo autocrata populista, não preparou sucessor. Veio Maduro, um tosco que reúne todos os defeitos e nenhuma das qualidades de Chávez. A inteligência, por exemplo.