Deputados e pré-candidatos às chapas proporcionais da federação formada por PRD e Solidariedade não acreditam no possível retorno do presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Bruno Peixoto, ao União Brasil e apostam na confirmação de acordos firmados anteriormente. Aliados ouvidos pela reportagem consideram, nos bastidores, que a articulação buscada pelo Palácio das Esmeraldas foi rejeitada pelo comando dos dois partidos, que pretendem manter as chapas proporcionais já estruturadas para a disputa de cadeiras na Câmara dos Deputados e na Alego.Peixoto tem preferido manter silêncio público sobre a negociação e negou pedidos de entrevista ao longo desta semana, quando realizou nova reunião com o vice-governador Daniel Vilela (MDB) sobre o tema. Como antecipado pelo POPULAR, o presidente da Alego chegou a avançar no acerto para retomar filiação ao UB em conversa com o presidente nacional da sigla, Antonio Rueda, em Brasília, no último dia 18. No novo encontro com Daniel, Peixoto e os aliados reforçaram a necessidade de manter os projetos para a disputa proporcional na federação PRD-SD, que adiantou a montagem das chapas desde o fim das eleições municipais de 2024. No entanto, governistas avaliam que o diálogo do presidente da Alego junto à direção nacional do UB não inclui qualquer compromisso com o PRD e Daniel reforçou as ofertas para que Peixoto assuma o comando estadual e, principalmente, contribua com as nominatas do partido.Integrantes do grupo liderado por Peixoto temem que a intenção do governo seja apenas retirar as listas de pré-candidatos adiantadas pela federação Renovação Solidária para estruturar as próprias chapas, mas com outros puxadores de voto na preferência para a disputa deste ano, como os seis deputados estaduais que continuam no UB. A avaliação é que o esforço do Palácio é consequência do esvaziamento do partido, ocorrido desde a saída do governador Ronaldo Caiado, que passou a centralizar articulações no PSD, inclusive com a migração de membros do UB.Depois de anunciar filiação ao PRD para a campanha a deputado federal, Peixoto foi alvo de pressão do governo estadual para não trocar de sigla e abrir mão da presidência local da federação. O movimento, ainda no fim de janeiro, já era resultado direto da filiação de Caiado ao PSD, já que a contrapartida solicitada pelo antigo partido do governador para mantê-lo no controle em Goiás, foi a formação de chapa competitiva a deputado federal. A motivação se manteve no afunilamento que gerou a oferta da presidência estadual do UB, diante das dificuldades do Palácio para viabilizar as chapas do partido. Depois da reunião com Rueda, em Brasília, o acerto passou a depender da confirmação entre as partes, principalmente com o ex-presidente estadual do PRD e secretário executivo do diretório nacional da legenda, Jorcelino Braga. Segundo aliados, os sinais enviados por Braga, no entanto, são de que é preciso “manter a palavra”, sem nenhuma possibilidade de o partido em Goiás abrir mão das chapas já anunciadas. Enquanto isso, o presidente da Alego mantém contatos com os dois lados e chegou a sinalizar ajuda para a composição de nominata a deputado estadual no UB, mesmo sem definir se assumirá o comando.ConversasA proposta apresentada por Rueda e Daniel tem argumentos que citam o controle de um dos maiores valores de fundo eleitoral para a disputa deste ano, além da posição de protagonismo em um partido maior, inclusive para, eventualmente, se apresentar como nome viável para entrar na disputa pela Prefeitura de Goiânia, em eleições futuras, na sucessão do prefeito Sandro Mabel (UB). “Ofereceram Deus e o mundo para ele no União Brasil, mas ele firmou com a gente que fica na federação”, diz um aliado de Bruno. Os integrantes de Solidariedade e PRD mantêm discrição ao comentar o tema, já que pretendem confirmar candidaturas na base aliada ao governo e evitam indisposições com o Palácio.O acordo proposto define que, caso Peixoto assuma o comando do UB, a primeira-dama Gracinha Caiado, antes apontada como próxima presidente da sigla, passaria a assumir a liderança estadual da federação União Progressista (UB/PP). Sem citar o presidente da Alego, Caiado confirmou que a pré-candidata ao Senado assumirá o posto. “Sim, ela vai presidir a federação que compõe os dois partidos”, afirmou o governador em entrevista coletiva no encontro de muladeiros, nesta quinta-feira (26), em Goiânia.Em entrevista ao Giro, a própria primeira-dama afirmou acreditar na confirmação de Peixoto na presidência regional do UB e revelou estar “preocupada” com a montagem de chapas na legenda na reta final da janela partidária, que termina ao fim do dia, na próxima sexta-feira (03). Gracinha avaliou que “não podia ter um nome melhor do que o de Bruno Peixoto” para o trabalho.