A atual legislatura na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) deverá ter alto índice de candidaturas à reeleição nas próximas eleições de 2026. Do total de 41 deputados estaduais, 38 mantêm trabalhos para pleitear, novamente, uma cadeira no Legislativo estadual, enquanto apenas três definem planejamento para entrar na disputa por mandato de deputado federal no próximo ano. O número de postulantes à recondução soma 92% da Casa, bem acima dos 73% que tentaram a reeleição na última eleição estadual, em 2022, quando 30 dos 41 tentaram o novo mandato. Há três anos, 11 deputados não entraram na corrida por vagas na Alego, já que nove se lançaram a deputado federal e dois não foram candidatos.Desta vez, apenas os deputados Lucas Calil (MDB), Ricardo Quirino (Republicanos) e o presidente da Alego, Bruno Peixoto (UB) projetam candidaturas a federal. Calil e Peixoto deverão compor a mesma chapa, com a perspectiva de filiação ao Solidariedade e ao PRD, respectivamente. As duas siglas formaram federação no fim de junho e seguirão juntas até 2030. Já Quirino assumirá as bases do atual deputado federal Jefferson Rodrigues (Republicanos), que não retornará à disputa por decisão do grupo ligado à Igreja Universal. As articulações do ano pré-eleitoral apontavam, até antes do recesso parlamentar de julho, a possibilidade de que pelo menos outros dois parlamentares ficassem fora da corrida à reeleição. O grupo político majoritário em Rio Verde, no Sudoeste goiano, ainda ponderava a chance de lançar o atual deputado estadual, Lucas do Vale (MDB), no pleito por cadeira na Câmara dos Deputados. A ideia, no entanto, esbarrou na indefinição do projeto eleitoral do ex-prefeito, Paulo do Vale (UB), pai do deputado, que se apresenta como nome para ocupar vaga na chapa majoritária do grupo governista, seja como candidato ao Senado ou à vice-governadoria. Enquanto a cúpula do Palácio das Esmeraldas deixa as confirmações para o próximo ano, a decisão do grupo foi por manter o trabalho para a reeleição de Lucas. A avaliação é de que Paulo do Vale deverá ser suplente da primeira-dama, Gracinha Caiado (UB), que é pré-candidata a senadora.A deputada estadual Dra. Zeli (UB) também considerava não buscar a reeleição em análise junto com a base eleitoral em Valparaíso de Goiás, no entorno do Distrito Federal. A parlamentar de primeiro mandato poderia abrir mão para que o grupo mantivesse foco em torno da eventual candidatura do ex-prefeito, Pábio Mossoró (MDB), a deputado estadual. A definição, tomada no início do mês, no entanto, foi pela manutenção de Zeli na disputa por vaga na Alego, enquanto o ex-prefeito deverá se candidatar a deputado federal. Pábio Mossoró ocupa, desde maio, a Secretaria Estadual do Entorno do Distrito Federal (SEDF).Apesar das especulações de que poderia abrir mão da candidatura por conta da intensa concorrência regional, José Machado (PSDB) buscará a reeleição em 2026. O tucano deve enfrentar divisão da mesma base política em Goianésia, já que Hélio de Sousa (PSDB) postula retorno à Alego. Além dos nomes da oposição, o pai do prefeito Renato de Castro (UB), Manoel de Castro, o Fião, também deverá entrar na corrida por cadeira na Alego em Goianésia.Apoio do governoComo informado pelo Giro, o governador Ronaldo Caiado (UB) ressaltou aos deputados que o governo está fazendo sua parte para a viabilização dos projetos dos parlamentares, com pagamento de emendas e alta popularidade. O gestor falou em “100% de reeleição” dos que estiverem na base de apoio ao Palácio das Esmeraldas.O cenário, porém, se mostrou diferente da expectativa do governador em 2022. Na mesma eleição em que Caiado foi reeleito no primeiro turno, oito deputados da base aliada não conseguiram a recondução à Alego. Ficaram pelo caminho três nomes filiados ao União Brasil (UB), Álvaro Guimarães, Chico KGL e Dr. Antônio, e outros três do MDB: Francisco Oliveira, Henrique Arantes e Thiago Albernaz. Além deles, Max Menezes (PSD) e Sérgio Bravo (PSB) também não alcançaram votação suficiente. Apesar da manutenção de ampla maioria governista na atual legislatura, a última eleição marcou renovação de 56% na Casa, já que 23 dos 41 parlamentares eleitos eram novatos.Integrantes da oposição rebatem o discurso de Caiado e apontam que a participação na base do governo não é fator decisivo de favorecimento eleitoral para os deputados estaduais. Já os governistas confirmam a avaliação do governador e consideram que a eventual derrota não ocorre por desaprovação da gestão, mas sim pela concorrência interna e a composição das chapas. “Eu vejo diferente, até pelo exemplo da eleição de 2022. Não é fácil ser base e o trabalho individual de cada um pesa muito mais para o sucesso ou não”, avalia Major Araújo (PL).Entre os opositores que se candidataram na última eleição, três não se reelegeram em 2022: Alysson Lima (PSB), Cláudio Meirelles (PL), Hélio de Sousa (PSDB). Gustavo Sebba (PSDB) avalia que a meta do governador é “balela”. O presidente estadual tucano cita a situação de 2022 e diz que o sucesso não depende da base. “Isso é conversa do governador para ludibriar a sua base já antevendo o que provavelmente vai acontecer na janela partidária: uma série de deputados que estão na base do governo, no momento oportuno, vão sair da base. O desempenho se dá exclusivamente pelo trabalho de cada deputado”, rebate.“É claro que as benesses do governo ajudam. Tem deputados que indicam muitos cargos no governo e isso acaba cooptando lideranças, mas não é isso que traz o êxito. O trabalho é muito mais amplo que isso”, completa o deputado tucano.Em resposta, o líder do governo, Talles Barreto (UB), confirma a expectativa de alto índice de reeleição entre os aliados. “Isso é dor de cotovelo da oposição, porque quem não quer estar ao lado de um governo que tem 88% de aprovação e transformou o estado na infraestrutura, na regionalização da saúde e, em especial, na segurança pública? É óbvio que Isso favorece os deputados em 2026”, defende.Talles considera que o resultado de derrotas de governistas em 2022, assim como em 2026, depende principalmente da composição de chapas e da disputa interna por votos. “Com as federações que estão acontecendo, nós vamos ter um número menor de candidatos. Automaticamente, isso vai exigir uma votação maior para ser eleito. Se alguém está com medo de partido ou da chapa, é melhor nem disputar a eleição”, analisa.Cada chapa a deputado estadual pode lançar até 42 nomes, mas o número é o mesmo aplicado para as federações, em que as legendas integrantes devem decidir como a lista será formada. “O jogo é mais difícil para quem é deputado da base, mas não por desgaste, mas porque a base é mais numerosa e existe uma disputa maior na base que pode promover às vezes uma mudança na cadeira”, considera Lincoln Tejota (UB).