A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) aprovou nesta quarta-feira (1º) um pacote de 10 projetos, enviados por diferentes poderes e órgãos autônomos, para conceder reajuste anual a servidores, além de textos para plano de carreira, progressões e outros benefícios aos efetivos do próprio Legislativo e a renovação do bônus para servidores da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), no Executivo. Todas as matérias foram analisadas em dois turnos em plenário e reuniões das Comissões Mista e de Constituição e Justiça (CCJ), em apenas três horas.A reposição inflacionária de 4,26% aos vencimentos dos funcionários foi definida em projetos enviados pelo Tribunal de Justiça (TJ-GO), Ministério Público Estadual (MP-GO), Tribunal de Contas do Estado (TCE), Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Defensoria Pública (DPE) e a própria Alego. Apesar do anúncio na última semana do presidente da Casa, Bruno Peixoto (UB), que prometeu reajuste de 9,26%, o texto apreciado apresentou o mesmo porcentual estabelecido pelo governo estadual para civis e militares e seguido pelos poderes.Os deputados, no entanto, mantiveram argumentos favoráveis às reivindicações dos servidores efetivos e apontam articulação junto ao governador Daniel Vilela (MDB) para alcançar o índice pretendido. O projeto de data base do Legislativo chegou a ter pedido de vistas na CCJ do líder do governo, Talles Barreto (UB), mas acabou retomando a tramitação até o aval definitivo em plenário.Questionado pela deputada Bia de Lima (PT), Talles confirmou a busca por aumento nos salários dos concursados da Casa, mesmo diante de insatisfações de outros poderes. “A partir do momento em que foi noticiado o adicional de 5% na Assembleia, todos os outros poderes colocaram o mesmo e isso inviabilizaria o estado. Os efetivos da Assembleia não tiveram aumento no ano passado, mas todos os outros órgãos tiveram. A gente está buscando saídas”, afirmou o líder.Além do reajuste seguindo apenas o índice inflacionário, os deputados aprovaram outros três projetos apresentados pela Mesa Diretora para atender às demandas dos efetivos. As matérias seguem para sanção do governador Daniel Vilela e, se confirmadas, resultarão em reestruturação dos quadros de pessoal da Casa. O pacote prevê a progressão vertical com aumento de 10% sobre o vencimento, a cada dois anos, para servidores que concluírem, no mínimo, 120 horas de cursos de capacitação, aperfeiçoamento ou qualificação profissional. De acordo com o texto, os servidores podem acumular até cinco progressões, totalizando 50% de aumento no tempo mínimo de dez anos. Outro projeto define aumento de 30% para 35% da gratificação de aperfeiçoamento para os servidores com mestrado e de 35% para 40% para aqueles com doutorado. Além disso, houve criação do auxílio-saúde de R$ 300 mensais. Todos os benefícios terão validade a partir deste mês de abril, mas nenhum dos projetos apresentou impacto financeiro das medidas.Apesar dos atendimentos, os deputados não voltaram a defender, como na semana passada, a expansão do teto de gastos de 2026, com a alegação de que o Poder seria prejudicado pela mudança de regime fiscal, desde que Goiás deixou o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e aderiu ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). Na primeira entrevista coletiva após assumir o governo, Daniel Vilela citou que Bruno Peixoto “refluiu” da apresentação de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para elevar o próprio teto. O governador ainda antecipou que mantém tratativas com os poderes e órgãos para definir o limite de despesas para cada um em projeto de lei a ser finalizado e enviado à Alego ainda no primeiro semestre, antes da apresentação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027. O pacote de projetos ainda inclui matéria do Executivo, que mantém em 2026 o Bônus por Resultado, que totalizará até R$ 215 milhões, na Secretaria de Educação. O valor para cada servidor será de 100% dos vencimentos. O texto também define o Bônus por Resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), de até R$ 53 milhões, para efetivos da secretaria. Os benefícios serão bancados por superávit do Fundeb em 2025, de R$ 268,2 milhões.