Os nove deputados federais goianos que votaram a favor da emenda que trata de abuso de autoridade por parte de membros do Ministério Público e Judiciário foram alvos de críticas e vaias na manifestação ontem na capital em defesa da Operação Lava Jato e contra a corrupção. De acordo com a Polícia Militar, o protesto reuniu 1,5 mil pessoas em frente à sede da Polícia Federal, no Setor Bela Vista.Por quatro vezes, os organizadores em carros de som leram os nomes dos deputados que ajudaram a aprovar a emenda. Em uma delas, papéis com as fotos dos parlamentares foram jogados dentro de um latão de lixo colocado sobre o trio. Um banner com as imagens dos deputados, intitulado “Relação papel higiênico”, foi afixado em um dos veículos da organização.No início da manifestação, marcada para 15 horas, os organizadores rezaram o Pai Nosso, fizeram um minuto de silêncio pela queda do avião da Chapecoense e cantaram o Hino Nacional. Em seguida, começaram as críticas aos políticos, com pedidos de “fora Renan e Rodrigo Maia”, presidentes do Senado e da Câmara.Um dos organizadores leu os nomes dos goianos e disse que nenhum será esquecido nas eleições. Os manifestantes também pediram pressão sobre os três senadores goianos para que votem contra as alterações no projeto das dez medidas de combate à corrupção. Membros do Ministério Público participaram do ato e discursaram. O promotor Mário Caixeta subiu ao trio e disse que a missão do MP é “levar ao banco dos réus calhordas de terno e gravata”. “Precisamos investigar com liberdade e sem medo. Estamos sendo atacados porque estamos incomodando os poderosos.”A procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho em Goiás, Janilda Lima, também discursou com críticas à emenda do abuso de autoridade. Votaram a favor da emenda os deputados Daniel Vilela (PMDB), Flávia Morais (PDT), Giuseppe Vecci (PSDB), Heuler Cruvinel (PSD), João Campos (PRB), Jovair Arantes (PTB), Lucas Vergílio (SD), Magda Mofatto (PR) e Roberto Balestra (PP).