A votação do veto do prefeito Sandro Mabel (UB) ao projeto de lei - de autoria do vereador Lucas Vergílio (MDB) - que revoga a Taxa de Limpeza Pública (TLP), a taxa do lixo, deve ser o primeiro grande teste à base aliada na Câmara Municipal em 2026, dizem vereadores governistas, independentes e oposicionistas ouvidos pelo POPULAR. A tendência, segundo eles, é de manter o veto, mas a deliberação do plenário deve ocorrer de forma “apertada” e à contragosto de alguns aliados que já medem o desgaste junto à opinião pública. O Legislativo municipal está em recesso e tem previsão de retorno às atividades somente em fevereiro. Presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Luan Alves (MDB) adianta que não irá “segurar o veto” no colegiado e já estuda nomes para a relatoria. “Ele colocou a base dele em dificuldade de novo. Voltando do recesso, o veto é lido em plenário, e depois volta para a CCJ. Da minha parte, não vou fazer nada para segurar isso. Minha posição pessoal é contra o veto”, afirma o emedebista, para completar: “É uma matéria muito sensível, diferente dos demais vetos dele, e não vejo muita unidade na base para esse tipo de assunto. Não vejo que será com a folga e tranquilidade com que o pessoal tem votado os outros vetos.”Integrante da base, Ronilson Reis (SD) diz que a possibilidade de o veto ser derrubado pelo plenário vai “depender do entendimento do prefeito com a base”. “O que ele vai querer? O que ele pedir para a base, deve manter o veto, caso ele tenha a maioria”, afirma o aliado. Relator da revogação da TLP na Comissão de Finanças, Orçamento e Economia (CFOE), Coronel Urzêda (PL) afirma que causou “estranheza” o veto de Mabel mesmo diante da emenda apresentada pelo governista Thialu Guiotti (Avante) que condicionou a validade da legislação à apresentação de um estudo de impacto financeiro, medidas de compensação da renúncia de receita e aval da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz) e, na prática, invalidou a derrubada do imposto. “Até estranhei o veto do prefeito porque ele mandou apresentar aquela emenda, e a base inteira votou a favor da revogação da taxa do lixo. Aquela condicionante, no entanto, inviabilizou o projeto. A minha disposição pessoal é continuar votando a favor da revogação”, afirma Urzêda, acrescentando que acredita que os outros três integrantes do PL devem votar para derrubar o veto, considerando a contrariedade da sigla à majoração de impostos. “Sobre a base, o prefeito conseguiu no fim do segundo semestre estabelecer uma base. Ele não tinha antes. Agora, tem alguns da base que votaram desde o início contra essa taxa e não sei como ficaria agora. Esse será já o primeiro grande desafio dele neste ano na Câmara”, completa Urzêda.O oposicionista Edward Madureira (PT) também destaca que, depois das turbulências na relação de Mabel com os vereadores ao longo de todo o ano passado e o processo, ainda em curso, de reestruturação da base aliado, o prefeito tem atualmente um grupo mais consolidado, mas que novamente deve passar por um novo desgaste com a votação do veto. “Os vereadores vão ficar numa situação muito ruim diante da população, vai ficar uma saia justa enorme. Mas o prefeito ainda tem maioria. Eu já adianto que vou votar pela derrubada”, afirma Madureira.Nas entrevistas, os vereadores voltaram a dizer que há a pretensão de judicializar o caso, a depender do resultado.O autor do projeto de lei que revoga a taxa, Vergílio afirmou ao POPULAR que já era esperado o veto do prefeito, mas que lutará pela derrubada no retorno das atividades na Câmara: “Torcer para que os vereadores da base se mantenham coerentes, porque o projeto foi aprovado pela vontade dos vereadores da própria base.” InconstitucionalidadeAo vetar a revogação da TLP, Mabel alegou inconstitucionalidade, vícios no processo legislativo e ausência de estudo de impacto financeiro e orçamentário para compensar a perda de arrecadação com o fim do tributo. O veto foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM) de quinta-feira (15). A revogação da taxa foi aprovada de forma definitiva pela Câmara Municipal no dia 30 de dezembro de 2025, na última sessão legislativa do ano, sem votos contrários. O veto também se baseou em análises técnicas da Secretaria Municipal da Fazenda e da Procuradoria-Geral do Município (PGM), que, conforme a Prefeitura, apontam irregularidades formais na tramitação do projeto de lei, incluindo o desarquivamento fora do prazo e o descumprimento de etapas previstas no regimento interno da Câmara. Para a PGM, os vícios são suficientes para tornar o processo legislativo nulo.Apesar disso, conforme mostrou O POPULAR, a proposta não teria nenhum efeito prático mesmo se fosse sancionada por Mabel. É que a emenda de Guiotti - articulada à época por integrantes da base aliada e o Paço - buscava proteger a Prefeitura ao instituir no próprio texto mecanismos de validade. A taxa do lixo foi aprovada pela Câmara em dezembro de 2024 e começou a ser cobrada dos goianienses em julho de 2025.Antes mesmo da aprovação definitiva da revogação da TLP, o secretário da Fazenda afirmou ao Giro que se os vereadores derrubassem o veto de Mabel ao projeto, “terá de ser indicada outra fonte para bancar os serviços e isso não existe”, classificando o movimento de “politicagem pura”. (Colaborou Rodrigo Melo)