Matéria atualizada em 14/01, às 11:15.O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) gastou pelo menos R$ 420 mil com cartões corporativos durante visitas a cidades goianas ao longo do mandato (2019-2022). Na lista de estabelecimentos, estão dois que têm políticos como proprietários.Em Aparecida de Goiânia, um restaurante de bairro de classe média, com comida por quilo, concentrou quase a metade dos gastos com alimentação da comitiva presidencial em Goiás nos últimos quatro anos.As despesas também incluem notas emitidas em data em que o presidente Bolsonaro não estava em Goiânia, mas os filhos Eduardo e Jair Renan, 03 e 04, estavam.O Bella Cozinha, na Vila Alzira, em Aparecida, recebeu ao total R$ 88.888,00, em nove pagamentos. O mais alto deles foi de R$ 19,2 mil em apenas uma nota. O restaurante, que foi aberto em 2017, tem self service com R$ 46,90 o quilo.O estabelecimento emitiu notas de quase R$ 20 mil na terceira visita de Bolsonaro a Goiás, em 26 de julho de 2019, quando veio a Goiânia acompanhar a formatura do sobrinho Luiz Paulo Leite Bolsonaro na Academia da Polícia Militar de Goiás. Na ocasião, o então presidente almoçou na fazenda do cantor Amado Batista, em Goianápolis, onde foi servido churrasco em buffet de uma outra empresa.Não há informações detalhadas sobre o gasto com a Bella Cozinha, como horário de fornecimento, onde foi servida a comida e quantas foram as refeições. Uma funcionária do restaurante disse nesta sexta-feira (13), pela manhã, que apenas a proprietária poderia falar do assunto e que ela só retornaria na próxima semana. A atendente não quis fornecer o telefone de contato da dona. Segundo ela, o restaurante não faz entrega e só abre no almoço.Na vinda para a formatura do sobrinho do presidente, a comitiva teve gastos de R$ 11,3 mil com hospedagem em Goiânia.O restaurante recebeu outros quatro pagamentos para fornecer alimento ao grupo da Presidência, mesmo quando as agendas eram em Anápolis (a 72 quilômetros de Aparecida).Leia também:- Deputado federal de Goiás aciona TCU contra gastos de Bolsonaro em viagem aos EUA- PF encontra na casa de ex-ministro minuta para Bolsonaro mudar resultado da eleição- Bolsonaro deixa hospital nos EUA e planeja retorno para o BrasilAo total, as despesas dos cartões corporativos com comida em Goiás somaram R$ 193,7 mil, enquanto com hospedagem foram de R$ 196,7 mil. Cerca de um quarto dessa última rubrica foi para o hotel Di Roma, em Caldas Novas, de propriedade da deputada federal Magda Mofatto (PL).O hotel recebeu a comitiva do Planalto em agosto de 2020, quando houve inauguração de usina e em abril de 2021, quando a então primeira-dama Michelle Bolsonaro visitou o clube. A deputada postou foto das duas na ocasião.Em três pagamentos, dois por hospedagem e um por alimentação, os cartões registraram R$ 47,8 mil de despesas no DiRoma.O empresário e ex-candidato a prefeito de Senador Canedo Zélio Cândido, em 2016, apoiado pelo senador Vanderlan Cardoso (PSD), tem um posto de combustível em Goiânia que recebeu, em um dia, quase R$ 3 mil para abastecer veículos da presidência. O posto Asa Norte, no Setor Santa Genoveva, forneceu 23 notas, com valores que variam de R$ 7 a R$ 540.Ao total, as despesas com combustíveis em Goiás somaram R$ 18,7 mil, o que significa que o posto do ex-candidato recebeu um sexto do valor. Outros quatro postos receberam em um só dia de R$ 2 mil a R$ 3,3 mil: DDD, em Simolândia; Cristal em Alto Paraíso; Araguaia, em Anápolis; e SR São Paulo, em Formosa.O POPULAR realizou o levantamento das despesas em documento divulgado esta semana pela Secretaria-Geral da Presidência da República, em atendimento a pedido feito pela Lei de Acesso à Informação (LAI) pela agência Fiquem Sabendo. Os dados não eram divulgados no governo Bolsonaro sob argumento de privacidade.Os gastos podem ser maiores tanto porque há suspeitas de que a relação oficial ainda não esteja completa como também porque o levantamento considera apenas os dias em que Bolsonaro teve agenda oficial ou que tenha sido divulgada nas redes do ex-presidente no estado. A reportagem considerou 30 dias de visitas.A lista divulgada pelo governo identifica apenas a data das despesas, o nome do estabelecimento e o CNPJ, além dos valores e rubrica do gasto. Não é possível filtrar em quais cidades estão as empresas.RegistrosAo todo, segundo os dados divulgados, Bolsonaro gastou R$ 27,6 milhões nos quatro anos de governo, que representam menos do que as despesas registradas em cada uma das gestões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-10) e da ex-presidente Dilma Rousseff (2011-16), ambos do PT.Segundo a agência Fiquem Sabendo, especializada em transparência do poder público, os dados podem estar incompletos por conta da ausência de informações sobre viagens ao exterior e diferenças sobre gastos totais que já haviam sido divulgados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Além disso, a distribuição dos cartões teria sido reduzida a menos agentes.Em parte das visitas de Bolsonaro a Goiás, não houve registro de gastos. Pela proximidade do estado com o Distrito Federal, o ex-presidente vinha com frequência a cidades goianas apenas de passagem para cumprimentar apoiadores.Nas datas de motociatas por aqui, não há registros de despesas.Em todo o País, segundo O Globo, o governo Bolsonaro gastou mais de R$ 1,5 milhão em dias em que o ex-presidente participou de motociatas. Os maiores valores foram para hotéis, alimentação, serviço logístico e gasolina.Gastos registrados no dia em que Jair Renan foi a festa encerrada pela PMNo dia 30 de agosto de 2021, os jornais goianos noticiavam a repercussão de festa de luxo clandestina encerrada no fim de semana, em Goiânia, que teve a presença do filho 04 do então presidente Jair Bolsonaro (PL), o Jair Renan. Naquela mesma data, ele postou que continuava na capital goiana, onde fez uma tatuagem com o rosto do pai.Também naquele dia 30, o deputado federal Eduardo Bolsonaro estava em Goiânia, para uma série de visitas acompanhado do deputado federal Major Vitor Hugo e da vereadora Gabriela Rodart. Ele foi ao Comando de Operações Especiais do Exército, participou de entrega de diplomas a policiais civis e participou de cerimônia na Câmara de Goiânia em homenagem aos 163 anos da Polícia Militar de Goiás.O presidente Bolsonaro havia cumprido agenda em Goiânia nos dias 27 e 28, quando foi a solenidade do Exército, fez motociata e participou de evento evangélico. Nas datas da presença dele na capital não houve registros de gastos dos cartões corporativos, mas no dia 30 foram contabilizados R$ 64 mil de despesas da comitiva presidencial.Com hospedagem, houve despesas de R$ 33,5 mil, em dois hoteis, e com alimentação, R$ 21,2 mil em apenas um restaurante. Também houve registro de R$ 5,6 mil de serviço de apoio, e R$ 3 mil de locação de bens móveis, ambos sem especificação.Na manhã do dia 30, o presidente fez a transmissão de uma entrevista que concedeu a rádio de Goiás, mas já estava em seu gabinete, em Brasília. Segundo informações divulgadas à época, ele deixou Goiânia após o evento evangélico no sábado (28).A festa de que Jair Renan participou no mesmo dia foi encerrada pela Polícia Militar, por descumprimento de regras sanitárias - por conta da Covid-19, ainda em alta na época. Segundo a PM, havia mais de mil pessoas no evento no Palácio Monte Líbano, no alto do Morro do Mendanha. -Imagem (1.2595641)