Diante de pesquisas que mostraram recentemente o crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto para presidente da República nas eleições deste ano, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, buscou comparar os investimentos do governo Lula (PT) com os de Jair Bolsonaro (PL) no Estado de Goiás para atacar tanto a pré-candidatura de Flávio, como a do governador Ronaldo Caiado (PSD), e endossar um novo mandato do petista no Palácio do Planalto. Em Goiânia, na tarde desta quinta-feira (26) durante a abertura do mutirão “Governo do Brasil na Rua - Feira da Cidadania”, promovido pela gestão federal no Setor Morada do Sol, Boulos criticou a redução de 8% nos investimentos na Saúde em Goiás durante a gestão Bolsonaro e afirmou que, nos três primeiros anos do governo Lula, houve ampliação de recursos para áreas estratégicas no Estado, como Saúde, Educação, Moradia e Agronegócio. O ministro citou, como exemplo, a destinação de R$ 22 milhões para o Complexo Oncológico de Referência de Goiás (Cora).“O Complexo Oncológico de Referência de Goiás, o Cora, investimento federal para atender os pacientes com câncer: 22 milhões (de reais) para redução de filas de cirurgia para o povo de Goiás. Renovação do Samu com 88 novas ambulâncias do Samu para o povo de Goiás. Reativação de obras de unidades de saúde, de postos de saúde em 17 municípios de Goiás. Vamos comparar? Isso só na Saúde”, disse Boulos. Localizado às margens da BR-153, o Cora foi inaugurado em setembro do ano passado. A unidade teve custo de R$ 255 milhões e foi erguida em 25 meses. Os recursos para a obra, do governo estadual, foram repassados à Fundação Pio XII, responsável pela construção e gestão do complexo. O ministro, que enumerou os investimentos do governo federal no Estado consultando uma “pastinha”, justificou, em coletiva, que apesar de a campanha eleitoral não ter começado, em meio a onda de fake news e “besteiras que muita gente tem falado por aí”, seria importante “matar a cobrar e mostrar o pau”. “Tem que mostrar como é o negócio mesmo”, afirmou. Enaltecendo Lula e se dizendo confiante em um quarto mandato do petista, o ministro afirmou que se Caiado for candidato, vai ficar claro “o tamanho de cada um”. “Falar, subir num palanque e falar desaforo, até papagaio fala. Agora, ter respaldo popular, ter voto, ter capilaridade no Brasil, ter um posicionamento que se sustente. Aí é outra coisa, o presidente Lula tem, o nosso campo tem. Então nós precisamos aqui em Goiás, assim como em todo o Brasil, de candidaturas que defendam o legado e o governo do presidente Lula”, disse Boulos. Apesar de tergiversar sobre a definição de um nome em Goiás para disputar o Palácio das Esmeraldas, o ministro disse ser “essencial” ter uma candidatura forte de esquerda no Estado. “Veja, aqui nós temos o Ronaldo Caiado, que é o governador, é o adversário do presidente”, afirmou Boulos. Ao seguir direcionando suas críticas a Caiado, afirmou que o goiano não teria “coragem” para disputar o Palácio do Planalto. “Eles podem vir com fake news. Eles podem vir com mentiraiada. O seu Caiado falando um montão de coisa. Mas do Lula ele já recebeu a resposta. Eu acho que o Caiado não vai ter coragem de ser candidato a presidente, não. Ele vai ter que receber o que ele recebeu de novo”, afirmou Boulos. O ministro do PSOL vem defendendo a federação de sua sigla com o PT. Assim, ao reforçar a união, enfatizou que a intenção do presidente Lula é a de construção de uma candidatura majoritária em Goiás. O plano do petista, disse, é o de garantir palanques nos Estados para fortalecer a candidatura.“Esse é um momento em que o Brasil precisa de uma esquerda unida, falando a mesma língua. Lógico, você pode ter as diferenças, ter a diversidade, isso até é bom. Agora é o momento para colocar as diferenças em segundo plano e caminhar todo mundo junto para reeleger o Lula, derrotar a extrema direita e o bolsonarismo no Brasil.”Perguntado ainda sobre a possibilidade de Lula vir a Goiás para as tratativas eleitorais relacionadas ao Estado, o ministro respondeu achar difícil que o presidente venha, especialmente pelo fato de ele “não estar em campanha”. Por outro lado, reforçou que as candidaturas majoritárias serão trabalhadas a partir do “diálogo”. Mais númerosNo apontamento dos investimentos, ao falar sobre a Educação, Boulos disse que, ao contrário do que classificou como cortes no ensino superior durante o governo anterior, a atual gestão federal viabilizou a construção de 19 creches em Goiás, a criação de três novos institutos federais no Estado e o repasse de R$ 1,7 bilhão para hospitais universitários. Na área habitacional, declarou que o governo Bolsonaro teria descontinuado o Minha Casa Minha Vida e que, na atual gestão, já foram contratadas 12 mil moradias da faixa 1 em Goiás. Em relação ao agronegócio, destacou que o governo federal destinou R$ 29 bilhões à agricultura goiana dentro do Plano Safra, contemplando tanto a agricultura familiar quanto o grande produtor rural.Questionado sobre uma possível dificuldade de comunicação dessas ações ao eleitorado goiano, Boulos afirmou que, enquanto governos estaduais investem valores elevados em publicidade institucional, o governo federal estaria priorizando investimentos em políticas públicas. “Quando chegar a hora da campanha, que o povo vai poder comparar, e que isso que eu estou falando aqui para vocês vai estar no debate na televisão, vai estar no programa eleitoral, vai estar no ouvido do povo”, disse o ministro.Na sequência, esem citar nomes, o ministro ainda aproveitou a oportunidade para criticar entrevista do presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), à Folha de S.Paulo, sobre o fim da escala 6x1, na qual afirmou que “ócio demais faz mal”. Boulos classificou a declaração como “vergonhosa”. “O que ele está querendo dizer? Que o trabalhador brasileiro é vagabundo, que não trabalha? Que é ocioso? Bote ele para trabalhar numa firma seis dias por semana sem poder ficar na família para ganhar três mil reais por mês, que eu quero ver ele falar de ócio. Sabe, é uma hipocrisia. Tem uma turma à direita, os grandes empresários, o PL, os bolsonaristas, o Valdemar, essa turma, estão defendendo o interesse de bilionário, de grande empresário”, disse.Boulos informou ainda que o presidente Lula deverá enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei, em regime de urgência, para pôr fim à escala 6x1, e disse que a base governista pretende atuar tanto no Parlamento quanto nas ruas para aprovar a proposta.O ministro acrescentou que a votação deverá expor o posicionamento de lideranças políticas sobre o tema e citou nominalmente o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e Caiado, afirmando que a população poderá cobrar, nas eleições de outubro, aqueles que, segundo ele, ficarem “do lado errado” da pauta trabalhista.