A defesa do vereador de Goiânia Cabo Senna entrou com recurso no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) para tentar tirar do chamado “limbo jurídico” o processo do parlamentar de saída do PRD, iniciado em 1º de dezembro de 2025. O impasse surgiu após o relator do caso, desembargador Adenir Teixeira Peres Júnior, encerrar a ação sem sentença definitiva. Em decisão monocrática de 6 de fevereiro, o relator entendeu que a carta de anuência assinada pela então presidente estadual do PRD, deputada Magda Mofatto, é suficiente para assegurar a saída sem perda do mandato, tornando desnecessária a intervenção judicial, já que não haveria “crise de certeza” quanto à validade do documento.Os advogados do vereador, Victor Hugo Pereira e Rodrigo Teixeira Teles, contestaram dizendo que a ausência de pronunciamento judicial deixa o mandato em “permanente instabilidade”. Alegaram existir, sim, “crise de certeza” e apontaram que a carta não teve firma reconhecida, o que poderia abrir margem para questionamentos futuros, sobretudo em caso de mudança na direção partidária.Ao justificar a saída, Senna alegou “profundas divergências doutrinárias e políticas”. Pré-candidato a deputado estadual este ano, ele afirmou ao POPULAR que, com a federação do PRD ao Solidariedade, a chapa ficou muito grande e não quis correr o risco de perder a eleição, ressaltando que a anuência foi concedida “tranquilamente”.Com o recurso, o caso será analisado pelo pleno do TRE-GO. Não há data para julgamento do agravo.Neste ano, apenas deputados federais e estaduais podem trocar de partido sem perder o mandato durante a janela partidária, que começa nesta quinta-feira (5) e vai até o dia 3 de abril. Segundo a Justiça Eleitoral, vereadores só podem migrar em caso de fusão ou incorporação, grave discriminação ou mudança substancial do programa. Fora dessas hipóteses, a saída depende de carta de anuência, caracterizada como desfiliação consensual sem perda de mandato.Além de Senna, o presidente da Câmara de Goiânia, Romário Policarpo, também deixou o PRD após carta assinada em 10 de dezembro. O documento cita a federação com o Solidariedade como “incompatibilidade política” e menciona questionamento judicial no STF que o teria atingido no passado.Na carta, Magda afirmou que o partido busca a “estabilidade das relações políticas” e que manter o mandatário em situação incompatível geraria “desgastes internos”. Ela relatou que a decisão foi construída no fim do ano, diante de sinais de que Policarpo não estaria satisfeito com a federação com o Solidariedade e pretendia sair pensando nas eleições. As cartas de anuência a Senna e Policarpo foram uma das últimas ações de Magda no PRD, antes de ela migrar para o PL.Procurado, Policarpo não quis se manifestar. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente da Câmara está sem partido. Pré-candidato a deputado estadual, para disputar a eleição, ele precisa estar filiado até 6 de abril, conforme as regras eleitorais. Aliados citam conversas recentes com o Avante e o Democracia Cristã.