O pré-candidato a presidente da República Ronaldo Caiado (PSD) admitiu nesta terça-feira (31) o desafio de conquistar as bases do partido para viabilizar o próprio projeto nacional, diante da falta de engajamento de governadores, lideranças e pré-candidatos da legenda no lançamento do pleito, na segunda-feira. Em resposta ao POPULAR, o ex-governador de Goiás garantiu que trabalhará em busca do apoio interno. “É lógico. É o trabalho que eu vou fazer. Reafirmo aqui que estou saindo agora e já tenho uma pauta e vou caminhar o Brasil exatamente com esse objetivo de ampliar as bases e de buscar outros partidos também no sentido de fazermos coligações maiores. Sem dúvida alguma”, afirmou.Lançado com o mote de acabar com a polarização do país, o evento em torno de Caiado contou com poucas lideranças de fora de São Paulo, onde ocorreu o evento, e foi ignorado nas redes sociais por todos os 13 pré-candidatos da sigla aos governos estaduais e pela maioria dos atuais governadores. A falta de apoio público reforçou a percepção de parte da legenda de que Caiado terá espaço para disputar, mas com pouco empenho de políticos de fora de Goiás. Em discurso na Assembleia Legislativa de Goiás, o pré-candidato apontou ter sido vitorioso no primeiro filtro para a eleição nacional de outubro. “O primeiro grande desafio eu superei. Ainda vou ter dois pela frente, mas vamos continuar, pedindo a Deus muita saúde”, disse ao pedir “ajuda” dos aliados no estado ao pleito presidencial. Dos seis governadores do partido, quatro não fizeram nenhum comentário nas redes sociais sobre o lançamento de Caiado e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que brigava para ser o escolhido, gravou um vídeo para dizer que a decisão do PSD “tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país”.Ratinho Junior, que era o favorito para assumir a candidatura presidencial pelo PSD, mas desistiu para continuar no Governo do Paraná e tentar fazer seu sucessor, foi o único governador do partido a divulgar a pré-candidatura de Caiado. Nos bastidores, ele tem indicado possível palanque duplo no estado e apoiar também o senador Flávio Bolsonaro (PL), para evitar a migração dos votos da direita para a candidatura ao governo do senador Sergio Moro (PL). Cotado como candidato de Ratinho, o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), não fez comentários sobre o lançamento. O partido tem ainda como governadores Marcos Rocha (Rondônia), Raquel Lyra (Pernambuco), Fábio Mitidieri (Sergipe) e Mateus Simões (Minas Gerais). Raquel foi eleita pela oposição ao PT, mas desde que assumiu o mandato tenta obter apoio do presidente Lula (PT) para diminuir a força do prefeito do Recife, João Campos (PSB), na disputa estadual. A governadora trocou o PSDB pelo PSD justamente em busca de aproximação com o petista e tem aval da direção do partido para se manter neutra na disputa nacional. Outro que já recebeu autorização para não fazer campanha por Caiado é Mitidieri, único governador eleito pelo PSD em 2022 que disputará a reeleição e já afirmou que apoiará a reeleição de Lula.Dos 13 pré-candidatos do PSD aos governos estaduais, parte já está comprometida com outros presidenciáveis. O senador Omar Aziz, que concorrerá ao Governo do Amazonas, é próximo de Lula. O PT também negocia apoio aos candidatos do PSD em Mato Grosso e no Maranhão, em troca de palanque para o presidente.O cenário de divisão do partido e falta de engajamento em torno do goiano só vai mudar, segundo avaliações de partidários, se Caiado começar a crescer nas pesquisas de intenção de voto. O entendimento é confirmado pelo senador Vanderlan Cardoso (PSD).“Partido é assim mesmo. Não vai ter unanimidade nunca, mas pode ter certeza de que o governador viabilizou dentro do partido quando muitos não acreditavam. Daqui em diante, vai haver muita atenção em torno do governo de Goiás, inclusive na segurança. Daqui a pouco, crescendo em pesquisas e mostrando viabilidade mesmo, vai vir apoio de tudo quanto é lado. Sempre foi assim”, afirmou o parlamentar ao POPULAR.