O lançamento da pré-candidatura do vice-governador Daniel Vilela (MDB) antecipou as estratégias do Palácio das Esmeraldas para engajar a própria base política e o discurso com o objetivo de diferenciar o emedebista dos principais adversários definidos para a disputa pelo governo em outubro. O primeiro encontro do grupo neste ano reuniu cerca de 3 mil pessoas em Jaraguá, no sábado (14), com a presença de 209 prefeitos, segundo a organização.O governador Ronaldo Caiado (PSD), que deixará o governo em 31 de abril em busca de candidatura à Presidência da República, valorizou a ampla participação de integrantes da base aliada, além de prefeitos, vereadores e de 31 deputados estaduais e 11 deputados federais. Não participaram o estadual Amauri Ribeiro (UB) e a federal, Magda Mofatto (PL). Caiado e Daniel discursaram com foco na comparação entre a atual administração e governos anteriores, com as pré-candidaturas de oposição do senador Wilder Morais (PL) e do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) como principais alvos. Depois de dizer que conta com “a melhor safra de prefeitos” e apontar a expectativa de reeleição dos gestores municipais aliados, Caiado apontou a defesa pela continuidade como principal bandeira da campanha em torno de Daniel. Na sequência, passou a alfinetar os adversários estaduais, sem citá-los diretamente. “Como governador, é meu último encontro com vocês. Daqui 17 dias, estou deixando o governo, mas de cabeça erguida e continuando a morar em Goiás. Não tendo que fugir para São Paulo”, disse Caiado, em indireta a Marconi. Em outro momento do discurso, o governador fez comparação sobre as gestões estaduais e voltou a fazer acusações contra os governos do PSDB. “É preciso puxar a memória. Quando chegam uns candidatinhos com blá-blá-blá, mas que, quando estiveram no governo, fizeram foi roubar para danar. Roubar que nem rato branco. Enquanto rato preto dá uma viagem, rato branco dá duas e rouba dobrado. Vocês sabem como é. O povo goiano está vacinado e não admite mais governador que não tenha compromisso com trabalhar. Não podemos deixar que isso seja quebrado”.Ao retomar e explicar o processo antecipado de escolha do presidente estadual do MDB como vice, ainda em agosto de 2021, o governador voltou a fazer referência às gestões tucanas, quando disse que Daniel “não foi imposto a mim por nenhum conchavo político”. Durante os governos passados, o próprio Caiado realizou a indicação de candidatos a vice por acordo, na época, na presidência do Democratas.“Eu tinha disputado com ele, mas escolhi porque cabelo branco dá experiência para a gente. Peguei um político que eu conheço a trajetória. Jovem, já foi vereador e tem capacidade de ouvir o vereador. Foi deputado estadual e deputado federal. Menino corajoso. Já chegou e botou de frente para peitar o Caiado. Eu falei: rapaz, calma lá”, brincou. “Dei uma educadinha nele em 2018”, completou, sobre a disputa contra Vilela. Colar imagemCaiado reforçou a participação direta de Daniel nas ações de governo ao longo deste mandato para colar a própria imagem e a alta aprovação da gestão à imagem do pré-candidato, quando aproveitou para disparar com Wilder. “Esse aqui governou comigo e conhece o estado inteiro. Essa é a diferença. Qualquer distrito de qualquer município de Goiás, ele conhece e já passou por lá. É por isso que eu digo a vocês, vamos falar seriamente agora, para disputar com o Daniel tem uma tal de rota da lorota. Pelo amor de Deus, gente. Se puser ele na divisa de Goiás com o Mato Grosso, ele entra no Mato Grosso e não sabe chegar em Goiânia”, criticou.O governador fez referência à série de eventos políticos e seminários realizados pelo PL, denominada “Rota 22”. Desde o fim de 2025, Wilder utiliza as agendas no interior para realizar pré-campanha. A última edição ocorreu no sábado, em Anápolis, no mesmo horário do encontro da base, e reuniu cinco prefeitos e lideranças locais, mas não contou com o deputado federal Gustavo Gayer ou o prefeito Márcio Corrêa (PL).“Não conhece o estado. Não sabe o que é governar. Não se governa de Angra dos Reis. Se governa é ao lado dos municípios do interior para saber a realidade que tem em cada um, com cada primeira-dama, vereador e prefeito de Goiás”, continuou. Daniel não fez referência a Wilder no discurso, mas iniciou as críticas às gestões anteriores, sem citar nomes. Apontou que a população agora tem “orgulho” do governo e que a “desesperança” de antes se tornou “segurança”. “Isso não é discurso. Isso é a realidade. Não estamos aqui contando no discurso um estado que não existe. É um estado de verdade”, afirmou.O pré-candidato também buscou alinhar a própria imagem a Caiado, com a busca por símbolos que deverão ser apresentados com mais intensidade durante a campanha. Primeiro, o vice fez paralelo entre a relação dos dois e as tradicionais duplas sertanejas goianas. “Goiás é terra de grandes duplas e elas deram certo porque têm algo em comum. Essas duplas têm afinidade e confiança. Portanto, eu tenho orgulho de dizer que Goiás, também na política, viu nascer uma nova dupla: Caiado e Daniel”. Em outro momento, a ligação foi buscada em torno da segurança pública, área de governo com maior aprovação na gestão Caiado. Além de repetir o slogan do governador de que “bandido não se cria”, Daniel buscou apresentar a própria versão. “Com esses sistema de inteligência artificial implantado em todo o estado, é o que eu tenho dito: bandido aqui nesse estado vai ter que andar igual tatu. Embaixo da terra e se botar a cabeça para fora é pau na moleira. Goiás não pode andar para trás”, afirmou.EngajamentoDaniel e Caiado aproveitaram a ampla reunião com aliados e lideranças políticas para cobrar engajamento na futura campanha. “Os prefeitos são os grandes timoneiros e líderes da eleição de 2026. Não existe eleição ganha e não existe eleição em que o cidadão fica dizendo que amanhã ele vai. Não. Eu digo a vocês: acabou o expediente na prefeitura, marca uma rua e visite de casa em casa em cada município e mostre o que nós construímos”, disse o governador. Ao pedir dedicação, Caiado voltou a direcionar críticas aos tucanos. “Para construir é muito difícil, mas para acabar com o estado, é só colocar aqueles madruvações aí ou aquele cupim branco que, meu amigo, come tudo. Goiás hoje está com dinheiro em caixa, mas se botar eles lá, eles acabam com o estado em dois minutos”, voltou a atacar o governador.O próximo encontro da base aliada está agendado para o dia 11 de abril em Luziânia, no entorno do Distrito Federal, mas não há ainda definição sobre a estrutura a ser organizada. A meta, segundo apuração da reportagem, é realizar total de 10 reuniões até o período das convenções, em julho.