O governador Ronaldo Caiado (PSD) voltou a valorizar a disputa no partido para definir quem será o pré-candidato à Presidência da República e elogiou os concorrentes internos durante debate realizado pela própria legenda, na noite desta sexta-feira (6), em São Paulo. Caiado apontou para a necessidade de elaboração de plano de governo do PSD, retomou críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu discurso de “unificação” para os próximos meses de corrida ao Palácio do Planalto. O encontro, promovido pela Fundação Espaço Democrático, que é um braço do partido, teve como tema “Propostas PSD: modelo para o Brasil”. O goiano participou ao lado dos também governadores e pré-candidatos, Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), que publicou nesta sexta um “manifesto” nas redes sociais, em que voltou a confirmar o projeto presidencial. Ao se manter na disputa pela titularidade da candidatura, Ronaldo Caiado elogiou os colegas e destacou a atuação do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, que acompanhou o debate. “O Kassab subiu a régua para valer nessa disputa pela Presidência da República. Porque ele fez um evento na Fundação Espaço Democrático e, modéstia à parte, cada um pode puxar para seu estado aqui, mas nós somos bons mesmo. Fizemos os melhores governos, demos conta do recado e construímos a aprovação da população”, disse.Ainda filiado ao União Brasil, quase 40 dias depois do anúncio de adesão ao PSD, Caiado confirmou nesta semana ao POPULAR que trocará de partido, mas que pretende realizar um evento em Goiás para oficializar a mudança, sem detalhar o que será feito. A demora para a filiação abastece, nos bastidores, especulações sobre duas possibilidades diante de possível frustração no partido. A primeira aponta que o governador poderia trocar de partido dentro do prazo para abrigar o projeto nacional e, neste sentido, cobra a antecipação da decisão de Kassab. Outra alternativa seria a permanência no UB para assumir a candidatura ao Senado. Ronaldo Caiado nega as duas ideias e garante que continuará no PSD, depois de assinar a ficha de filiação, mesmo se não for escolhido, e que manterá atuação junto à legenda na eleição nacional, com atenção ao projeto de sucessão estadual, com o pleito do vice-governador Daniel Vilela (MDB). Como informado pelo Giro, o pedido de antecipação feito por Caiado foi atendido pela direção do PSD e a definição sobre a candidatura presidencial deve pelo menos encontrar avanço para a fase final já neste fim de semana, com os três governadores em São Paulo. A expectativa na sigla é de que as conversas sejam conclusivas até a manhã de segunda-feira (9).Caiado confirmou a manutenção do próprio projeto presidencial depois que Eduardo Leite apresentou as diretrizes de sua campanha, no “manifesto ao Brasil”. No texto, o governador gaúcho avaliou o cenário nacional e afirmou que o país tem um “problema de direção”, além de defender uma nova relação entre os Poderes e responsabilidade fiscal. “Não estamos diante de uma eleição comum. Estamos diante da escolha entre continuar administrando polarizações ou inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento”, escreveu Leite em texto divulgado nas redes sociais.Logo na abertura do encontro com os governadores, em São Paulo, Ronaldo Caiado defendeu discurso baseado na “unificação” e “desenvolvimento” do país. “Nós precisamos lutar contra essa cizânia que existe e, ao mesmo tempo, buscar uma unificação de ações no Brasil, cada vez mais estendendo a mão a quem precisa e desenvolvendo o Brasil. Não é possível ter um país que cresce 2,3%. A Índia cresce 7,2% e a China cresce 5%, mas nós somos caudatários nesse processo”, comparou.O goiano voltou a direcionar críticas ao governo Lula, quando abordou as dificuldades econômicas dos últimos anos, especialmente para o agronegócio. “Uma taxa de renegociação no setor rural que hoje chega a 18%, a 22%, com um governo que se preocupa em empobrecer as pessoas para se colocar o paizão dos mais pobres”, afirmou.“As últimas medidas na saúde, em que ele quer escolher o Mais Médicos para destruir a política do SUS, que é de municipalização da saúde. Quer ingerir na orientação médica da realidade de cada município. Destruindo os entes federados e concentrando cada vez mais poder na União. Essa é a política que nós temos que, dentro do espaço democrático, transformar em um plano de governo”, acrescentou. O governador ainda repetiu as acusações de que o governo Lula teria relações e seria conivente com a atuação de criminosos no Brasil, e defendeu o projeto de oposição. “Nós saberemos governar porque temos estatura moral para chegar na Presidência e sentar naquela cadeira sem estar envolvido com bandalheira e nem corrupção. É com autoridade moral que se governa um país”, disse.Segurança Apesar dos discursos conciliadores e centralizados na abertura do evento, os três governador avançaram em pautas de direita quando o debate girou em torno do tema da segurança pública e a recente Proposta de Emenda à Constituição (PEC), aprovada pela Câmara dos Deputados. Ratinho Júnior elogiou as alterações no texto, mas apontou que é preciso tornar as leis mais rígidas contra a criminalidade.“O problema do Brasil não é prender bandido. É soltar bandido. Eu, se tiver a oportunidade de ser presidente, encaminharia uma emenda constitucional muito simples, que daria aos estados e às Assembleias Legislativas, a autoridade para legislar em cima de crimes, em especial, o crime contra a vida, como feminicídio, estupro e homicídio”, apontou o paranaense.“Eu tenho certeza que a Assembleia Legislativa do meu estado aprovaria em 24 horas uma lei para que assassino de trabalhador pegue 30 ou 40 anos de prisão sem redução de pena. Tenho certeza que Goiás faria e o Rio Grande do Sul também. Vários estados aprovariam leis extremamente duras contra a bandidagem. E aquele estado que não aprovar, você vai entender que está compactuando com o crime”, defendeu.Já Ronaldo Caiado voltou a valorizar o trabalho do relator, deputado federal Mendonça Filho (UB/PE), para a aprovação da PEC da Segurança e citou principalmente a retirada de trechos que definiam a “centralização” de ações pelo governo federal com “ataque à autonomia dos estados”. “Se o governo federal não dá conta de nada, muito menos das fronteiras, e ainda quer se ocupar da nossa área. Então, quero parabenizar o Mendonça Filho. Se a PEC for aprovada na íntegra, será o maior passo já dado. Resgatou o que a Constituição de 1988 deu a nós, que é a prerrogativa de definirmos as diretrizes gerais, além de acabar com saidinha, progressão de pena, e acabou com o CNJ legislando na cabeça de cada governador”, discursou.A proposta, que segue para avaliação do Senado, prevê medidas mais rigorosas para o enfrentamento de organizações criminosas, milícias e grupos paramilitares, já que estabelece bases constitucionais para a adoção de regras mais duras em legislação infraconstitucional. A alteração inclui restrições a benefícios penais e mecanismos voltados à desarticulação financeira das facções. Entre elas estão referência à restrição ou vedação de progressão, suspensão de benefícios, Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) e mecanismos patrimoniais, como confisco ampliado.