O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), enviou ofício, nesta quinta-feira (19), ao conselho de administração da Agência Goiana de Habitação (Agehab) para destituir dos cargos o vice-presidente, Wendel Garcia da Silva, e o superintendente Júlio Moraes Santos. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado da Comunicação (Secom).Os dois foram alvos da Operação Confrades, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) na quarta-feira (18) para apurar supostas irregularidades na execução do programa habitacional Pra Ter Onde Morar, do governo de Goiás. O POPULAR mostrou que o presidente da agência, Alexandre Baldy (PP), e Caiado conversaram por telefone na manhã de quarta e, mais tarde, se encontraram em Brasília. A informação é que, por telefone, Caiado ordenou a demissão dos alvos da operação. Baldy é presidente do PP em Goiás e pré-candidato ao Senado, e não foi alvo da operação.Em nota publicada na quarta, a Agehab chegou a informar que os servidores envolvidos tinham sido demitidos. A reportagem apurou que, diante do contexto, os dois estão fora das atividades da empresa, mas a demissão tem rito burocrático que precisa ser cumprido.A Operação Confrades apontou a existência de utilização da Agehab, em ações comandadas por Wendel, com participação de Júlio, para beneficiar a Excel Construtora e Incorporadora, que tem como sócios André Luiz Hajjar e Wgmar Rua Sobrinho.A investigação apontou aumento nas contratações da Excel a partir do momento em que Wendel assumiu cargo na diretoria da Agehab. O MP-GO verificou ainda “movimentações bancárias flagrantemente incompatíveis” feitas por Wendel. Além disso, Wendel namorou com a filha de André no período em que indícios de irregularidades foram verificados. As informações constam em documento do MP-GO que a reportagem teve acesso. O processo tramita em segredo de Justiça. Sem mencionar diretamente os envolvidos, o coordenador do Grupo de Atuação Especial do Patrimônio Público (Gaepp), do MP-GO, promotor Augusto Souza, afirmou, na quarta, que a estimativa é de R$ 80 milhões de dano ao erário, considerando atos praticados entre 2024 e 2025.O promotor ressaltou que nos últimos anos o Pra Ter Onde Morar executou R$ 800 milhões na construção de casas para a população de baixa renda de Goiás.Após a operação, a Agehab afirmou que colabora com as investigações e destacou que o caso não prejudica os seus programas. Já os alvos da investigação negaram envolvimento com as irregularidades.