O presidente do Progressistas (PP) em Goiás, Alexandre Baldy, avalia que não existe a possibilidade de que a federação entre seu partido e o União Brasil (UB) não seja confirmada para a disputa das eleições gerais de outubro. As cobranças pelo cancelamento da união ocorrem em meio à intensificação de divergências internas entre as duas legendas nos estados, em casos onde os grupos lideram frentes regionais opositoras, como em Pernambuco e no Ceará, por exemplo.Para Baldy, não há risco de a federação União Progresista naufragar. “Não existe mais essa possibilidade de não prosseguir”, afirmou o presidente estadual do PP.Apesar da avaliação do presidente da Agência Goiana de Habitação (Agehab), as manifestações contra a aliança têm crescido entre lideranças das duas siglas. Nesta semana, o vice-presidente do UB em Pernambuco, deputado federal Mendonça Filho, pediu ao presidente nacional do partido, Antonio Rueda, que cancele a federação.Segundo o pernambucano, a indefinição sobre a criação da federação e os alinhamentos estaduais têm gerado insegurança dentro do partido, especialmente às vésperas do prazo para filiações partidárias. “Faltam 15 dias para as filiações e há incerteza nos rumos do partido com a federação, o que gera insegurança jurídica. Não temos de ficar à mercê dessa incerteza”, afirmou Mendonça Filho. Para ele o cenário pode prejudicar a organização de candidaturas nos estados para o ano eleitoral. De acordo com o parlamentar, caso avance a aliança entre o partido comandado por Rueda e o PP, liderado pelo senador Ciro Nogueira (PI), o ideal seria adiar a formalização da aliança para 2027.Nos bastidores locais, aliados do governador Ronaldo Caiado (PSD) passaram a levantar questionamentos sobre uma possível alteração do cenário para a composição em Goiás, caso a federação seja cancelada. O entendimento, no entanto, é de que, mesmo com uma possível separação, o PP permaneceria no grupo, por articulação do vice-governador e pré-candidato ao governo, Daniel Vilela (MDB).A avaliação é de que a mudança também não afetaria os planos de Baldy, que confirmou na última semana a pré-candidatura ao Senado Federal, em chapa governista junto do deputado federal Zacharias Calil (MDB), do senador Vanderlan Cardoso (PSD) e da primeira-dama, Gracinha Caiado (UB). O projeto eleitoral segue mantido mesmo após a Operação Confrades, deflagrada na quarta-feira (18), pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO). A investigação apura supostas irregularidades na execução do programa habitacional “Pra Ter Onde Morar” e tem o vice-presidente da Agehab, Wendel Garcia da Silva, como um dos principais alvos. Segundo apuração da reportagem, a conclusão no governo é de que a operação gera desgaste para Baldy, mas nada que inviabilize a pré-candidatura, ao menos por enquanto.Para o deputado federal José Nelto (UB), a tendência registrada junto às duas bancadas na Câmara dos Deputados é de que a federação não seja efetivada para as eleições. “É uma situação muito problemática. Tudo pode acontecer, mas cada estado tem seu problema para resolver e hoje não é fácil. Eu hoje defendo o fim da federação e existe tendência para isso. O partido precisa respeitar quem foi lenhador do partido e atender o Mendonça Filho”, aponta o deputado. Nelto ainda considera “impossível” que o PP, fora da federação, adote caminho oposto ao grupo governista. “A base inteira do PP está na base e o grupo do partido tem sido muito atendido no governo estadual. Não existe cenário com o PP fora da base”, afirma o deputado.O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para a próxima quinta-feira (26) o julgamento que pode validar a federação partidária União Progressista. Para valer nas eleições, a composição precisa ser aprovada pela Corte até 4 de abril. O pedido está sob a relatoria da ministra Estela Aranha e, caso seja validada, a federação se tornará a maior força partidária do país, com R$ 900 milhões do fundo eleitoral e bancadas com 102 deputados federais e 12 senadores.Na semana passada, o Ministério Público Eleitoral se manifestou a favor da oficialização da federação, com exigência de mudanças no estatuto. Devem ser retirados o trecho que permite recondução infinita de dirigentes e outro que pode abrir caminho para intervenção do comando nacional em direções locais sem ampla defesa. (Colaborou Karla Araújo)