Os casos de violência política de gênero monitorados pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) são só a ponta do iceberg desse tipo de crime, que foi tipificado há cinco anos pela Lei 14.192/2021. De acordo com pesquisadoras e organizações que acompanham a representação das mulheres na política, a subnotificação é muito grande em todo o País e o tamanho real do problema ainda não é de conhecimento público. “A violência política contra a mulher muitas vezes é silenciosa. Ela não chega só como uma ameaça clara; muitas vezes é um constrangimento, uma interrupção constante, uma pergunta sobre a aparência ou sobre a vida pessoal. E, por ser algo que acontece todo dia, muita mulher nem percebe que aquilo é violência, acha que é parte do jogo político”, diz a pesquisadora da Universidade Federal de Goiás (UFG) e vice-coordenadora do Observatório das Mulheres em Goiânia (Berê), Ana Paula de Castro Neves.