O doutor em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB), Josimar Gonçalves, avalia que a migração de influenciadores digitais para a arena eleitoral representa “fenômeno estrutural”, que não se restringe à conjunturas específicas. Segundo ele, a mudança na forma de apresentação prioritária de candidatos, principalmente em disputas proporcionais, ocorre por processo de transformação profunda na comunicação política, com o deslocamento da atenção pública das mídias tradicionais para plataformas como Instagram, YouTube e TikTok. Mesmo reconhecendo a nova regra, o especialista considera que os projetos políticos que partem principalmente de altos números de seguidores ou engajamento enfrentam desafios para a viabilização eleitoral. “Os desafios são igualmente estruturais. O seguidor não é eleitor, por definição. A relação de consumo de conteúdo é fundamentalmente diferente da decisão eleitoral, que envolve territorialidade, confiança política e percepção de capacidade de representação”, afirma Gonçalves.