O pleno do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) concedeu liminar que suspende a homologação de pregão eletrônico do Instituto de Assistência à Saúde e Social dos Servidores Municipais de Goiânia (Imas) para a contratação de empresa especializada na prestação de serviços de apoio operacional à autogestão de plano de saúde. O valor estimado é de R$ 12,3 milhões.A representação foi apresentada pelo vereador Igor Franco (MDB), que foi líder do prefeito Sandro Mabel (UB) no primeiro semestre de 2025 e, depois de desentendimentos com o Paço, se tornou oposição. Na quarta-feira (18), os membros do TCM-GO seguiram, por unanimidade, o relatório do conselheiro Humberto Aidar.Em seu voto, Aidar apontou que o principal ponto de controvérsia está na possível restrição à competitividade e na subjetividade dos critérios de julgamento, com especial destaque para a prova de conceito. Para o conselheiro, os indícios sugerem fragilidade no planejamento do certame pelo Imas, “o que pode ferir os princípios da legalidade e da seleção da proposta mais vantajosa”.Aidar também destacou que a decisão é preliminar, com o objetivo de “impedir a formalização de um contrato que pode estar eivado de vícios, assegurando que o controle externo seja exercido de forma tempestiva antes do desembolso de vultosos recursos públicos por parte da autarquia municipal”.Titular da Procuradoria-Geral do Município (PGM), Wandir Allan de Oliveira destacou que o TCM-GO proibiu a homologação (fase final), mas permitiu o prosseguimento das etapas anteriores do certame. O entendimento é que, com esta decisão, o TCM-GO ajuda a Prefeitura a não perder tempo com um processo como este parado. De acordo com Oliveira, houve, por exemplo, a convocação para a prova de conceito. Para o procurador-geral, a decisão dá segurança jurídica ao caso. O TCM-GO ainda deve analisar outros documentos a serem apresentados pelo Paço Municipal.O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), já fez declarações sobre as dificuldades de gestão do instituto. Em reunião com o Ministério Público de Goiás (MP-GO) em novembro do ano passado, Mabel chegou a dizer que o caminho para o Imas seria a extinção da autarquia ou a sua profissionalização.Além disso, há expectativa de que o prefeito envie à Câmara um projeto de lei com a reestruturação do instituto. Em 2025, o Giro mostrou que uma minuta deste projeto mostrava a previsão de cobrança a todos os usuários, com variação de acordo com a idade e valores de R$ 52 a R$ 662.SaúdeNa quarta, o pleno do TCM-GO também determinou, em liminar, que a Prefeitura nomeie, em 30 dias, 454 profissionais de saúde aprovados em concurso de 2020. Na lista, estão 142 técnicos em enfermagem, 69 agentes comunitários de saúde, 49 médicos, além de outras categorias. O relator também foi Aidar, que destacou que o concurso tem validade apenas até setembro de 2026. Uma fiscalização recente do TCM-GO identificou déficit de 583 servidores na rede municipal de Saúde.Em nota, a Prefeitura, por meio das secretarias municipais de Saúde (SMS) e de Administração (Semad), informou que está adotando as medidas necessárias para cumprir a decisão do TCM-GO dentro do prazo estabelecido.