Dez empresas de Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia, foram alvos de mandados de busca na megaoperação deflagrada nesta quinta-feira (28) pela Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público Federal e Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para investigar a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis, com suspeita de esquemas de fraudes e lavagem de dinheiro. O dado foi divulgado pela Receita, em um total de 315 mandados, mas o órgão não informou os nomes das empresas.Lista divulgada pelo portal UOL aponta também uma usina de Porteirão (GO) entre as pessoas jurídicas investigadas na operação, batizada de Carbono Oculto. Além disso, o MP-SP informou, em entrevista coletiva, que as apurações já identificaram uma rede de postos de combustíveis em Goiás usada para atender interesses da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo os investigadores, a rede não foi alvo nesta quinta porque a operação focou no “andar de cima”.Três bases de armazenamento de combustíveis de Senador Canedo ficaram fechadas para o cumprimento dos mandados, mas não necessariamente são alvos, já que cedem espaço para operação de outras empresas. Uma delas, a DCT, divulgou nota afirmando que uma das distribuidoras que operam em sua base é a única investigada, sem informar nome.A usina citada na lista do UOL é a Goiás Bioenergia Açúcar e Serviços Ltda, que opera em Porteirão, na Região Sul do Estado. Não há informação se ela foi alvo de alguma medida cautelar autorizada na operação desta quinta. Em 2020, grupo de Jundiaí (SP) anunciou investimentos na Goiás Bionergia em Porteirão, em acerto para receber incentivos fiscais do governo estadual. A gestão divulgou release que falava em investimento de R$ 265 milhões e geração de 370 empregos diretos e mil indiretos.Na ocasião, o presidente da usina, Marcio Barbero, afirmou que os incentivos foram fundamentais para escolha de Goiás. “O governo oferece diversos incentivos que estamos usufruindo. É válido e indico o Estado para investidores parceiros”, disse, segundo a divulgação do governo. A reportagem não conseguiu contato com a empresa no celular de São Paulo informado à Receita.A lista divulgada pelo UOL inclui cinco empresas que operam em Senador Canedo, segundo relação disponível no site da Agência Nacional de Petróleo (ANP): Rede Sol Fuel Distribuidora S/A; Império Comércio de Petróleo Ltda.; Alpes Distribuidora de Petróleo Ltda.; Petroworld Combustíveis S/A; e Orizona Combustíveis S/A. A reportagem não conseguiu contato nos telefones informados pelas empresas no cadastro na Receita Federal ou em sites e redes sociais.A megaoperação apura vários elos da cadeia de combustíveis e diversos núcleos de atuação criminosa, sem divulgação sobre as apurações relacionadas a cada empresa suspeita. Assim, não é possível saber se as distribuidoras e a usina de Goiás são suspeitas de adulteração de combustível, sonegação de impostos, lavagem de dinheiro ou outros crimes.Além de Goiás, a operação cumpriu mandados em sete estados: São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Também houve autorização judicial para bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens dos envolvidos. As investigações incluem suspeitas sobre operações financeiras realizadas por meio de fintechs em tentativa de dificultar o rastreamento dos valores transacionados e “camadas de ocultação” para impedir a identificação os beneficiários.